A Coreia Norte realizou esta terça-feira um novo disparo de míssil balístico em direção ao Mar do Japão, anunciou o comando conjunto das forças armadas sul-coreanas, citado pelas agências internacionais. A confirmar-se, pode ser o lançamento do primeiro teste intercontinental. O comando das forças norte-americanas para o Pacífico já confirmou o lançamento, que foi realizado por volta das 9h40 (1h40 em Lisboa), a partir da província norte-coreana de Pyongyang Norte.

O míssil caiu no mar do Japão e não constitui uma ameaça para a América do Norte, informou o comando norte-americano em comunicado, dado tratar-se de um míssil de médio alcance, afirmou. “Continuamos a acompanhar de perto as ações da Coreia do Norte”, acrescentou. Mas as forças norte-coreanas contestam e garantem que o alcance do míssil é intercontinental. O vídeo foi publicado em alguns meios, como no site da ABC australiana que pode ver aqui.

O teste balístico, porém, não evita o agravamento do clima de tensão entre os dois países, com a imprensa norte-americana a destacar o facto de o teste ter decorrido na véspera dos festejos do 4 de julho nos Estados Unidos, o Dia da Independência.

De acordo com as informações já confirmadas, o míssil foi lançado da base aérea de Panghyon, onde já no passado dia 2 de fevereiro a Coreia do Norte testou o Hwasong-14 (também conhecido como KN-14), com um alcance de 3.000 quilómetros. O míssil voou durante 40 minutos, por mais de 930 quilómetros, atingiu uma altitude de 2.500 quilómetros e caíu a cerca de 200 quilómetros do arquipélago, no mar entre a Coreia e o Japão. A CNN detalha nesta infografia as características do míssil.

O primeiro-ministro japonês reagiu de imediato ao lançamento do míssil, numa ação que qualifica de “inaceitável”. Citado pela agência Efe, Shinzo Abe considera que este novo teste “claramente comprova que a ameaça norte-coreana se está a agravar”. Também o presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu na sua conta de Twitter, questionando se o líder norte-coreano “não tem nada melhor para fazer na vida?”. Trump desafiou a China a endurecer a posição em relação à Coreia do Norte.

A Coreia do Norte tem aumentado nos meses mais recentes os seus testes com mísseis balísticos e pretende construir mísseis nucleares que possam alcançar território norte-americano, um registo que segundo os especialistas ainda permanece longínquo. O Financial Times explica como tem evoluído a sofisticação balística da Coreia do Norte e qual o verdadeiro alcance previsto dos seus mísseis.

O New York Times, contudo, classifica esta ação como uma provocação e recorda mesmo os testes semelhantes com seis mísseis lançados pela Coreia do Norte, em 2006, quando o feriado norte-americano do 4 de julho ainda se celebrava no país. O programa nuclear e de mísseis norte-coreano constituem um dos mais importantes desafios de política externa que enfrentam os dois novos líderes, e aliados, em Washington (EUA) e Seul (Coreia do Sul).

China pede “contenção”

A China apelou à “contenção” de todas as partes envolvidas e à resolução “pacífica” do problema norte-coreano após o anúncio do teste de um míssil balístico intercontinental de Pyongyang.

Pequim está “a recolher informações” sobre o míssil e instou a Coreia do Norte a “parar as ações que violem as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Geng Shuang numa conferência de imprensa diária.