Cabo Verde

PM de Cabo Verde diz que casamento homossexual não está na agenda política do Governo

O casamento homessexual não está na agenda política do Governo de Cabo-Verde, segundo o primeiro ministro desse país.

A posição de Miguel Monteiro surge depois de a comunidade LGBT de Cabo Verde ter reclamado o direito à união de facto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo

MÁRIO CRUZ/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O primeiro-ministro cabo-verdiano disse, esta terça-feira, que o casamento homossexual não está na agenda política do Governo, classificando como “opinião pessoal” a posição do secretário-geral do partido no poder (MpD), Miguel Monteiro, contrária ao casamento gay.

Ulisses Correia e Silva falava à imprensa na cidade da Praia, após assinar o Acordo de Concertação Estratégica com os parceiros sociais, e na sequência da declaração do secretário-geral do Movimento para a Democracia (MpD), o deputado Miguel Monteiro, que na segunda-feira se afirmou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Numa publicação na sua página pessoal na rede social Facebook, o político fundamentou a sua posição com passagens da Bíblia, escrevendo “200% contra”.

Eu quero dizer que é uma posição pessoal do cidadão Miguel Monteiro que tem a sua própria opinião”, começou por afirmar o primeiro-ministro, que também é líder do MpD.

Ulisses Correia e Silva salientou que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não está na agenda política do Governo, mas garantiu que “se estiver será discutida”.

“Não temos nenhum problema relativamente a esta matéria. Não está na agenda política do Governo, não foi discutida”, prosseguiu o chefe do Governo, afirmando que é preciso fazer o debate sobre o assunto com tolerância e respeitando a “liberdade de expressão total“.

Em relação a esta matéria, tenho máxima de tolerância, não tenho estigma, nem preconceitos. Agora, não pode haver também intolerância a quem se posicione contra. As pessoas são livres de ter o seu posicionamento, quando chegar o momento político, sim, teremos sobre a mesa decisões que têm que ser tomadas, se for o caso”, terminou.

A posição de Miguel Monteiro surge depois de, na sequência do Dia do Orgulho Gay, a comunidade LGBT de Cabo Verde ter reclamado o direito à união de facto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A declaração suscitou críticas, mas também elogios à “coragem” e manifestações de concordância com Miguel Monteiro, que defendeu o seu direito a ter opinião e reafirmou o seu juízo em resposta a vários comentários dos internautas.

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