A presidente do CDS-PP acusou neste sábado o primeiro-ministro e líder do PS de reagir com “grande ligeireza” por António Costa ter dito que há aproveitamento político dos incêndios de junho, em Pedrógão Grande. “O primeiro-ministro trata de todos os assuntos com uma grande ligeireza. Gosta de pôr pontos finais nas matérias quando elas não estão em ponto de levar um ponto final. E gosta de distorcer os factos à medida que lhe é mais conveniente”, afirmou Assunção Cristas, que também é candidata à Câmara de Lisboa, numa ação de pré-campanha autárquica, em Marvila.

No caso dos incêndios, em que morreram 64 pessoas e mais de 250 ficaram feridas, Assunção Cristas insistiu na tese da ligeireza de Costa e acusou-o de ter “grande dificuldade em assumir as responsabilidades dos membros do seu Governo e dele próprio”, tanto no caso dos incêndios como no do roubo de armamento no país de Tancos, no início de julho.

Hoje, em Fafe, Braga, o secretário-geral do PS afirmou hoje que o país está melhor em termos económicos, mas há que ter a humildade de corrigir os erros cometidos, numa alusão à questão dos fogos florestais. Para António Costa, o que é necessário é “resolver os problemas” e não “aproveitar politicamente dos problemas”.

Um dia depois da remodelação governamental, com a saída de sete secretários de Estado, Assunção Cristas insistiu na tese da “ligeireza e da irresponsabilidade” com o caso de Margarida Marques, que ocupava a pasta dos Assuntos Europeus. “Diz publicamente que não pediu para sair e no despacho de exoneração publicado em ‘Diário da República’ diz que saiu a seu pedido”, assinalou.

Assunção Cristas citou, com ironia, o termo usado por Costa em Fafe, quando disse que “mesmo quando o país está melhor, há sempre imprevistos, há que ter a humildade de saber enfrentar”. A líder democrata-cristã questionou-se se também será “um imprevisto” o atraso na entrega dos donativos (13,3 milhões de euros) às vítimas dos incêndios de junho, no centro do país.

“Vale perguntar ao primeiro-ministro se é um imprevisto ter de distribuir os 1,3 milhões de euros”, questionou, anotando “uma inação da parte do Estado e do Governo”. Pela segunda vez esta semana, a líder do CDS-PP e candidata à câmara desafiou o presidente do município e candidato do PS, Fernando Medina, a aceitar um debate a pensar nas autárquicas de 01 de outubro.

Assunção Cristas acusou Medina e a câmara de “arranjar o que enche o olho” e de ignorar problemas maiores como as cerca de 1.600 habitações sociais por distribuir.