José Maria Fernandes, presidente da União Romani – a Associação que representa a comunidade cigana em Portugal – reagiu aos comentários de André Ventura sobre a etnia cigana. “Parece que estou a responder ao Hitler”, disse para descrever os comentários do candidato do PSD e CDS à Câmara Municipal de Loures, André Ventura. Em entrevista à SIC Notícias, o presidente da União Romani afirmou que candidato está a “dar cabo do partido, a enterrar o PSD vivo”.

O presidente da União Romani diz não poder aceitar o silêncio do PSD e do CDS, que apoiam o candidato. “Logo depois de ter feito as declarações devia ter sido expulso do partido”, disse. “Se ele disser que não é racista, eu direi que ele é o Hitler”.

Depois das declarações de André Ventura, onde afirmava que existia “uma excessiva tolerância com alguns grupos e minorias étnicas” e que “os ciganos vivem quase exclusivamente de susbsídios do Estado”, vários foram os que se insurgiram contra o candidato. O Bloco de Esquerda disse tratar-se de um “ataque vil, gratuito e preconceituoso para com as pessoas de etnia cigana que, como tal, é punido pelo Código Penal Português”, e apresentou uma queixa-crime na Procuradoria Geral da República. Também Francisco Mendes da Silva, dirigente do CDS, comentou o caso na rede social Facebook: “Não há praticamente nada que André Ventura diga que eu não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e de um populismo que tanto pode ser gratuito, telegénico ou eleitoralista”. Sónia Paixão, candidata do PS à Câmara de Loures, considera que as declarações de André Ventura “são racistas e que o candidato discriminou cidadãos portugueses”. E Teresa Leal Coelho, candidata do PSD à Câmara de Lisboa, também repudiou as declarações.