O ministro dos Negócios Estrangeiros e número dois do Governo, Augusto Santos Silva, disse em entrevista à RTP3 que, caso fosse trabalhador da PT, ter-se-ia juntado à greve desta sexta-feira.

“Eu sou dos que compreendem muito bem a luta que está a ocorrer hoje na PT, porque de facto se eu fosse trabalhador da PT, estivesse na PT aos 20 ou 30 anos, e fosse agora colocado numa empresa subsidiária mantendo os meus direitos apenas por um ano, eu também se calhar estava a fazer greve e estava a manifestar-me”, respondeu.

Esta não é a primeira crítica pública de membros do Governo à forma como o grupo PT está a ser gerido pela Altice. O primeiro-ministro, António Costa, iniciou as hostilidades acusando a operadora de falhas na prestação do serviço durante o incêndio de Pedrógão Grande. A PT é acionista do SIRESP, o serviço de comunicações do Estado. António Costa veio ainda publicamente manifestar o receio de que o grupo PT seguisse o caminho de “desmantelamento” da Cimpor, uma grande empresa portuguesa que perdeu uma parte das suas operações depois ter sido comprada pelos brasileiros da Câmargo Corrêa.

Sobre a ação do Governo, Santos Silva diz que este está a aplicar a “legislação existente”. “A Autoridade para as Condições do Trabalho está justamente a verificar se as práticas de gestão da mão de obra da atual gestão da PT são conformes com a legislação portuguesa e europeia aplicada”, acrescentou.

Os sindicatos afetos à PT Portugal e a Comissão de Trabalhadores convocaram esta sexta-feira uma greve nacional de 24 horas em protesto contra a transferência de 118 funcionários para empresas do grupo Altice e da parceira Visabeira. A Altice, grupo de telecomunicações de nacionalidade francesa, comprou a PT em 2015.

A greve nacional dos trabalhadores da PT teve uma “adesão nacional de 70%”, disse à Lusa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom (STPT), Jorge Félix. A adesão nacional foi de 70%”, disse Jorge Félix, adiantando que no continente foi de 65% e de 80% nas ilhas.

Já a operadora de telecomunicações apresenta outros números. E adiantou que, “até às 18:00 de hoje, a adesão à greve foi de 19%”, salientando que “durante a o dia a PT assegurou todos os serviços que são prestados aos clientes”. Esta foi a primeira greve dos trabalhadores da PT em mais de 10 anos.

“A adesão em Lisboa foi a mais fraca porque houve mais pressão”, considerou o sindicalista, salientando que no final do desfile que partiu da sede, em Picoas, Lisboa, até porta da residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, chegou a contar “cerca de 5 mil trabalhadores”, que vieram de todo o país.