O dia de fecho do mercado em quase todos os grandes campeonatos europeus à exceção de Espanha (só fecha esta sexta-feira) trouxe muitos negócios concluídos com sucesso, muitos que terminaram sem acordo e um sem número de histórias muito típicas do dia em que jogadores e clubes jogam o tudo ou nada. Para já (porque convém não esquecer que amanhã podem existir alterações neste ranking), este é o top-10 das melhores histórias.

O negócio de sonho dos portugueses Pedro Neto e Bruno Jordão

Pedro Neto e Bruno Jordão (o primeiro é ex-júnior do Sp. Braga e o segundo foi titular na equipa B durante a última época) foram ao final da noite apresentados oficialmente como reforços da Lázio. O negócio, ainda ante de ser confirmado à CMVM, fez-se por 25,5 milhões de euros. Mas esta é uma operação bem mais complexa do que isso. Logo à partida, os dois futebolistas não foram vendidos… mas emprestados durante duas temporadas ao clube romano.

Pelo empréstimo de Neto a Lazio paga no imediato cinco milhões de euros (mais 2,5 milhões por objetivos) ao Sp. Braga; Jordão custará 2,5 milhões — mais 1,5 por objetivos. Ou seja, os bracarenses recebem por enquanto “apenas” 11,5 milhões de euros. Quando terminar o período de empréstimo, a Lazio terá obrigatoriamente (a menos que desça de divisão; aí o negócio ficaria sem efeito) que comprar Neto e Jordão ao SC Braga. O primeiro custará 9,5 milhões de euros e o segundo 4,5 milhões. Se não é o melhor negócio do Verão em Portugal — ambos são promissores, sim, mas nenhum estava tão pouco no plantel às ordens de Abel –, anda lá perto.

Falhou o treino, foi a uma corrida de cavalos e ainda vai renovar

Esta é a história de Diafra Sakho, o avançado do West Ham que estava a tentar encontrar solução para o seu futuro (falhou inclusivamente o treino da manhã com esse propósito) mas fez uma pequena pausa durante o último dia do mercado para ir ter com o empresário, Mark McKay, a Chelmsford, onde o cavalo do agente ia correr. E até ganhou (boa Siege of Boston, parabéns), sendo que as 100 libras apostadas se converteram em 550 libras.

Entretanto, o Crystal Palace e os clubes franceses interessados no jogador ficaram à espera. “Agora é tempo de voltar ao trabalho”, disse McKay após ver confirmado o triunfo do seu cavalo no photo finish. Assim, foram recebidos pelos dirigentes do West Ham e, como o mercado estava a correr tão mal e as propostas que chegaram também não eram fabulosas, acabou por se chegar a um acordo de permanência e até se fala de uma possível renovação de contrato.

Adrien e um prolongamento que acabou por ter compensação

A transferência de Adrien Silva acabou por ser o grande epicentro dos últimos momentos do mercado, até porque estava também em jogo uma saída de Drinkwater para o Chelsea: uma sem outra, não existiam; uma com a outra, complementavam-se. Mas esta espécie de casamento entre dois jogadores que não se conhecem nem se cruzaram foi complicada. Sabendo que os blues iriam apresentar mais uma proposta pelo médio inglês, o Leicester apresentou uma primeira oferta ao Sporting de 15 milhões que foi recusada; depois, surgiu uma outra hipótese com mais cinco milhões por objetivos, também recusada; a certa altura, falava-se de um empréstimo de Slimani para abater o valor.

O internacional português viajou entretanto para Inglaterra e, perto das onze da noite, estava a fazer exames médicos no clube tal como Drinkwater no Chelsea. O Leicester forçou a barra e conseguiu a maior venda de sempre (mais de 35 milhões de euros), o Sporting forçou a barra e terá chegado perto dos 24 milhões. No entanto, foi pedido um prolongamento de duas horas para tratar da parte burocrática, algo que teve ainda tempo extra (apenas no caso de Adrien) para ser ratificado pela Premier League (durante a madrugada não estava).

Barkley “Ross(ou)” o Chelsea mas recuou na altura dos exames médicos

Nada correu bem ao Chelsea neste mercado, que assegurou Zappacosta e Drinkwater mas já tinha falhado antes Lukaku (Manchester United), Oxlade-Chamberlain (Liverpool) e Llorente (Tottenham). Aliás, só faltava mesmo acontecer mais alguma coisa daquelas que nunca acontecem. Mas aconteceu: Ross Barkley recusou mudar-se do Everton para Stamford Bridge quando já estava tudo acordado e faltava apenas assinar.

Quando a informação começou a circular, dizia-se até que já tinha cumprido os exames médicos mas, mais tarde, a BBC, citando próximas do jogador, explicou que, como está com uma lesão na coxa que poderá mais de dois meses a ser debelada (confirmando-se as piores suspeitas), não quis trocar agora de clube. E o campeão inglês, que já estava a fazer uma verdadeira corrida contra o tempo, acabou por ficar sem jogador nem alternativas…

Alexis Sánchez entre o nada, o todo e um todo cheio de nada

Alexis Sánchez estava concentrado com a seleção do Chile mas ia seguindo o mercado de forma atenta porque sabia que o Manchester City iria fazer uma derradeira proposta para sair do Arsenal. Falou-se até da presença de elementos dos citizens perto da concentração que, havendo acordo entre clubes, tinham como função resolver toda a parte burocrática e fechar o negócio.

De manhã, parecia impossível; à tarde, o jogador terá mesmo confidenciado a pessoas próximas que estava tudo tratado com o conjunto de Pep Guardiola; à noite, rendeu-se às evidências e ficou mesmo nos gunners. Mas só por uma razão: como as propostas por Lemar (Mónaco) e Rabiot (PSG), apesar de envolverem valores na ordem dos 100 milhões de euros, tinham sido feitas muito em cima da hora, a formação de Arsène Wenger acabou por não arriscar e deixou ficar tudo na mesma.

A viagem perdida de Mahrez, o argelino que desapareceu em combate

A manhã do último dia de mercado começou com uma notícia invulgar: a Federação Argelina de Futebol tinha dado autorização a Mahrez, extremo/avançado do Leicester, para viajar e entrar em negociações com um novo clube. E a certa altura a excitação era tanta com essa permissão que várias pessoas conseguiram ver o mesmo jogador num hotel em Londres, no aeroporto de Paris e a caminho de Barcelona no lapso de uma hora.

O tempo foi passando e passando, sem qualquer novidade. Até que, a certa altura, ninguém sabia sequer onde estava o argelino. “Está desaparecido”, diziam dirigentes do Leicester a jornalistas da Sky. Das duas uma: ou assina esta sexta-feira por algum clube espanhol ou acabou por ter um dia de folga à espera que o telefone tocasse…

A maior transferência de todas acabou por ser… por empréstimo

Mbappé foi oficialmente confirmado como reforço do PSG. Ainda se falou no último dia de mercado da possibilidade de poder assinar já a título definitivo pelo clube por 135 milhões mais 45 milhões variáveis, mas a verdade é que o avançado do Monaco acabou mesmo por assinar por um ano de empréstimo… com uma cláusula obrigatória de compra de 180 milhões de euros! Estranho? Talvez. Mas compreende-se: assim os parisienses conseguiram contornar as questões do fair play financeiro, empurrando para a próxima temporada a despesa (que é “apenas” a segunda maior transferência de sempre do futebol).

E agora um número para cair mesmo da cadeira abaixo: sabe quando pagou o PSG pelos avançados Neymar, Mbappé, Cavani, Di María, Pastore, Draxler e Lucas Moura? Está preparado? 650 milhões de euros, em números 650.000.000 euros. É obra!

Gelson Dala, o fenómeno que Trump descreveria como ‘fake news’

O avançado angolano Gelson Dala foi um dos protagonistas do último dia de mercado… sabendo-se que ia ficar no Sporting. E houve um bocadinho de tudo: uma suposta venda por 17,5 milhões mais 15 milhões por objetivos ao Colónia, depois um empréstimo à formação alemã, a seguir uma fotografia tirada ao dianteiro ex-1.º de Agosto no aeroporto, por fim a imagem de despedida numa conta Instagram que não existe (ou não é do jogador).

Resumindo e citando Donald Trump, “fake news”: a promessa leonina ficou mesmo em Alvalade para ir evoluindo com Jorge Jesus mesmo que de vez em quando jogue na equipa B para ter mais minutos de competição e o clube só terá recebido sondagens de equipas portuguesas para um possível empréstimo.

Marcos Llorente, o mais amado entre todos os namoricos deste mercado

Marcos Llorente está umbilicalmente ligado ao Real Madrid. Desde logo porque é um “canterano”, tendo chegado a Valdebebas (o centro de estágio dos blancos) com apenas 15 anos. Mais: Llorente é sobrinho-neto do lendário Paco Gento, extremo esquerdo que venceu seis (!) Taças dos Campeões Europeus pelo Real. Depois de uma temporada em que esteve emprestado ao Aláves — e onde foi um dos melhores trincos da La Liga –, regressou esta época (no Verão jogou o Europeu Sub-21 e foi também um dos melhores jogadores da prova) ao Real Madrid.

A concorrência era (e continua a ser) feroz: Casemiro, Kroos, Modric, Kovacic, Ceballos. Ou seja, teoricamente (mesmo com a habitual rotação que Zidane faz) Llorente pouco ou nada jogará. Mas Zidane conta com ele. Ao todo, 20 equipas quiseram contratar Llorente, desde o Atl. Madrid ao PSG. Mas o miúdo vai continuar. Lá talento tem ele de sobra nas botas…

https://twitter.com/NaijaYarnz/status/903376117553274880

Imbula, a prova de como o dinheiro não traz felicidade (às equipas, pelo menos)

Imbula. Lembra-se dele? A sério: tente. Lembre-se de um golo memorável que o francês tenha marcado com a camisola do FC Porto, de um drible estonteante a livrar-se de três adversários, um desarme in extremis que evitou um golo cantado, um remate do meio da rua que o guarda-redes foi defender onde a coruja dorme. Nada? Pois. Depois de buscar e rebuscar no Youtube por um daqueles vídeos “Tackles, Skills, Passes, Goals”, nada. Nem sinal de Imbula no FC Porto. Mas ele jogou no FC Porto (na primeira metade da época 2015/16) vindo do Marselha.

Foi um pedido de Lopetegui para o meio-campo portista e custou… 20 milhões de euros. Apesar da desvalorização e de nunca ter sido um titular de caras, acabaria por sair no Inverno dessa temporada para o Stoke City por 24 milhões de euros. Sim, ainda deu lucro. Mas em Inglaterra também pouco ou nada jogaria em temporada em meia, sendo agora emprestado ao Toulouse. “Tackles, Skills, Passes, Goals” de Imbula no Stoke? Não, não há…