O Vale do Kadisha, local sagrado no norte do Líbano, é há muito o lar de várias comunidades monásticas cristãs que procuram tranquilidade, segurança e paz. Alguns querem mesmo a solidão, remetendo-se a uma vida de reclusão e eremitismo. Um desses eremitas tem-se tornado uma das principais atrações turísticas do vale. Dario Escobar, colombiano de 83 anos, vive ali sozinho há 27 anos.

Não, Dario não tem nada a ver com o narcotraficante Pablo Escobar – mas já ficou retido num aeroporto por culpa do apelido em comum. O National Geographic deu a conhecer o eremita estrangeiro que há 17 anos tem como lar o vale sagrado do Líbano. Dario Escobar foi para o Líbano após ter ouvido falar da história do vale através de um padre maronita, um dos principais grupos religiosos naquele país do Médio Oriente. “Vim porque só no Líbano existem eremitas”, confessou Escobar. Após chegar, teve de esperar 10 anos para receber a benção do Mosteiro de Santo António de Qozhaya e poder iniciar a sua vida de eremita.

Turistas sobem a montanha do vale para ver Dario e, se possível, trocar umas palavras com ele. Contudo, nem sempre têm sorte de o conseguir apanhar ou poder conversar. Ao National Geographic, Georges Zgheib, um guia turístico do vale, refere que é uma questão de sorte apanhar o eremita fora da sua habitação. Mesmo que isso aconteça, falar com ele depende “do seu humor”. “Umas vezes não quer falar com pessoas. Outras vezes ri-se e conta piadas, e as pessoas riem com ele”, diz Zgheib.

A rotina diária de Dario Escobar, segundo o próprio, consiste em 14 horas de oração, três horas de trabalho, duas horas de estudo e cinco horas de sono. A sua casa é modesta: contém um escritório, com pouco mais do que uma secretária e uma estante, e um quarto com um colchão fino e uma almofada de pedra.

O eremita colombiano Dario Escobar dentro do seu escritório, na sua casa no vale do Kadisha, local sagrado no norte do Líbano. Foto: JOSEPH EID/AFP/Getty Images

No que toca a alimentação, Dario revela que leva uma dieta vegetariana, comendo apenas que o seu jardim lhe dá. O National Geographic, no entanto, refere que um grupo de mulheres de uma cidade próxima lhe levou recentemente um pacote de batatas fritas.

Desde que se criou o Trilho de Montanha do Líbano, em 2007, que o vale sagrado tem recebido mais visitantes. Desde então que Dario recebe mais turistas, ainda que o caminho não passe diretamente pela sua capela. Uns vão para obter a benção do padre, outros simplesmente para o conhecer e ouvir as suas piadas, que o National Geographic diz serem “engraçadas” – “Ficas aqui e eu vou comprar uma almofada, uma boa almofada”, disse, enquanto mostrava os seus aposentos a turistas.

O Vale do Kadisha foi declarado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO em 1998. Dario Escobar reconhece que algum dia será levado para o convento pelos superiores, “se for muito velho”. Contudo, se fosse por Dario, ficava a viver no vale “de vez”.