Era uma questão de tempo e o tempo acabou este domingo: Lewis Hamilton, que ficara a dez pontos do título no GP dos Estados Unidos, sagrou-se tetracampeão de Fórmula 1 no México, juntando-se a Alain Prost e Sebastian Vettel no pódio dos pilotos mais vencedores, a um triunfo de Juan Manuel Fangio e três de Michael Schumacher. No entanto, esta foi a corrida mais louca da temporada, no sentido em que os dois principais candidatos à vitória ficaram relegados para as duas últimas posições logo na primeira volta.

Quando Hamilton se sentou no seu Mercedes antes da volta de aquecimento e se queixou à equipa que o seu banco estava a assar, parecia que estava ali uma deixa para um dia que seria tudo menos tranquilo. E bastaram duas curvas para virar a corrida ao contrário: Vettel saiu na pole position, Verstappen atacou logo na primeira curva, enquanto se tocavam o britânico tentou passar a dupla pela zona suja da pista mas, no meio desta confusão, foi o holandês da Red Bull que saiu a ganhar. E porquê? Hamilton ficou com um pneu furado e demorou imenso até chegar às boxes, Vettel ficou com parte do nariz danificado e fez o mesmo caminho.

Logo no início, e contra todas todas as expetativas, Vettel era 19.º e Hamilton estava na 20.ª e última posição. E foi curioso apanhar uma conversa do inglês com os responsáveis da Mercedes umas voltas depois, dizendo que até ultrapassar o primeiro carro que tinha à frente (Carlos Sainz Jr.) estava a complicado. No entanto, os dois primeiros classificados do Mundial fizeram prevalecer os melhores carros e a maior experiência, galgando lugares atrás de lugares até entrarem na zona de pontos, o que ambos alcançaram ainda a 15 voltas do final.

Max Verstappen venceu o Grande Prémio do México, Sebastian Vettel reduziu a desvantagem para o primeiro lugar, Lewis Hamilton sagrou-se tetracampeão mundial da Fórmula 1. Correu tudo ao contrário do previsto, mas acabou direitinho para o britânico, que passou as últimas voltas mais preocupado com a classificação do germânico (ficou em quarto) do que com a sua (terminou em nono, após uma grande ultrapassagem a Alonso, não conseguindo ainda assim evitar aquele que foi o seu pior registo ao longo da temporada). Valtteri Bottas (Mercedes) e Kimi Räikkönen (Ferrari) fecharam os restantes lugares do pódio.

Mas se hoje conseguimos olhar para esta vitória de forma natural (ainda mais depois da inesperada reforma de Nico Rosberg, o antigo campeão e companheiro do britânico na Mercedes), a verdade é que o Campeonato chegou a ser bem mais equilibrado do que se pensava, com Hamilton a liderar apenas desde o início de setembro.

Nas primeiras seis corridas, o Ferrari de Vettel não só deu luta como chegou ao final do mítico GP do Mónaco com um avanço de 25 pontos na classificação (129-104). Depois do triunfo no Canadá, as distâncias foram encurtando, mas só mesmo em setembro, na última prova na Europa, o Mercedes de Hamilton passou para a frente (238-235). A partir daí, a Ásia criou um fosso entre ambos (o germânico não terminou as corridas de Singapura e do Japão, ambas ganhas pelo inglês), agora confirmado na América do Norte.

O resumo das 18 corridas realizadas até ao momento, e que deram o título a Hamilton, foi o seguinte:

GP Austrália: Vettel (1.º), Hamilton (2.º), Bottas (3.º)
GP China: Hamilton (1.º), Vettel (2.º), Verstappen (3.º)
GP Bahrain: Vettel (1.º), Hamilton (2.º), Bottas (3.º)
GP Rússia: Bottas (1.º), Vettel (2.º), Hamilton (4.º)
GP Espanha: Hamilton (1.º), Vettel (2.º), Ricciardo (3.º)
GP Mónaco: Vettel (1.º), Räikkönen (2.º), Hamilton (7.º)
GP Canadá: Hamilton (1.º), Bottas (2.º), Vettel (4.º)
GP Azerbaijão: Ricciardo (1.º), Vettel (4.º), Hamilton (5.º)
GP Áustria: Bottas (1.º), Vettel (2.º), Hamilton (4.º)
GP Grã-Bretanha: Hamilton (1.º), Bottas (2.º), Vettel (7.º)
GP Hungria: Vettel (1.º), Räikkönen (2.º), Hamilton (4.º)
GP Bélgica: Hamilton (1.º), Vettel (2.º), Ricciardo (3.º)
GP Itália: Hamilton (1.º), Bottas (2.º), Vettel (3.º)
GP Singapura: Hamilton (1.º), Ricciardo (2.º), Vettel (desistiu)
GP Malásia: Verstappen (1.º), Hamilton (2.º), Vettel (4.º)
GP Japão: Hamilton (1.º), Verstappen (2.º), Vettel (desistiu)
GP Estados Unidos: Hamilton (1.º), Vettel (2.º), Räikkönen (3.º)
GP México: Verstappen (1.º), Vettel (4.º), Hamilton (9.º)