Aos dois minutos de jogo, Rui Costa obrigou Rui Patrício a uma grande defesa; a dois minutos do fim, Rui Patrício defendeu um penálti de Rui Costa. O avançado do Varzim tem nome de craque e, mesmo sem ser um maestro, conseguiu acompanhar o ritmo do encontro para ter os seus 90 minutos de fama (e o miúdo é bom de bola, atenção). Isto é a Taça de Portugal, o palco do futebol português mais fértil no reconhecimento de novos valores. Mesmo falhando um castigo máximo, Rui Costa tornou-se um novo herói pelo que jogou, ao mesmo tempo que Rui Patrício voltou a ser aquele velho herói que trata por tu qualquer luta da marca dos 11 metros. Ah, e faltava o herói da moda: Bruno Fernandes só jogou meia hora, mas entrou a tempo de decidir o encontro para o Sporting (2-0).

Ficha de jogo

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Sporting-Famalicão, 2-0

4.ª eliminatória da Taça de Portugal

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Hélder Malheiro (AF Lisboa)

Sporting: Rui Patrício; Ristovski, Coates, Tobias Figueiredo, Jonathan Silva (Gelson Martins, 12′); Petrovic (Bruno Fernandes, 59′), Battaglia; Podence, Bruno César (Mathheus Oliveira, 89′), Fábio Coentrão e Bas Dost

Suplentes não utilizados: Salin, Ivanildo Fernandes, Palhinha e Gelson Dala

Treinador: Jorge Jesus

Famalicão: Gabriel; Joel Monteiro, José Pedro, João Faria, Jorge Miguel; Hocko (Anderson Silva, 75′), Willian, Vítor Lima; Feliz, João Mendes (Fred, 66′) e Rui Costa

Suplentes não utilizados: Nuno Castro, Denner, Dani, Jaime Poulson e Nuno Diogo

Treinador: Dito

Golos: Coates(65′) e Bas Dost (81′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Joel (43′), Bruno Fernandes (61′), Fábio Coentrão (83′), Mattheus Oliveira (88′) e Ristovski (90′)

O Famalicão, que contou com uma fantástica moldura humana em Alvalade a uma quinta-feira à noite (falava-se em cerca de mil adeptos), entrou melhor, muito melhor. E ficou pertíssimo do golo inaugural logo aos dois minutos, quando Rui Costa provou que este é mesmo nome de craque, seguiu pelo corredor direito e rematou cruzado já na área para uma defesa muito complicada de Rui Patrício (a recarga saiu muito por cima).

Não seria a última vez que o jogador formado no clube que no ano passado visitou Alvalade pelo Varzim para a Taça da Liga conseguiria ganhar a profundidade em velocidade, mas o maior mérito dos comandados de Dito era mesmo a forma como conseguiam bloquear por completo a primeira fase de construção do Sporting e o jogo pelos corredores laterais. Aliás, até à saída de Jonathan Silva por lesão, os leões pura e simplesmente não entraram no encontro. E em dez minutos esfumou-se a principal experiência de Jesus: colocar Coentrão no lugar de Acuña.

Quem entrou, aos 12′, foi Gelson Martins. E a partida tornou-se diametralmente oposta, também pelo recuo de Fábio Coentrão para a lateral e o posicionamento de Podence solto na frente no apoio a Bas Dost. O Famalicão até podia estar com uma estrutura defensiva coesa e organizada, mas quando apanhou Gelson e Podence, foi um problema. Que só não ganhou outras dimensões porque o ala internacional português atirou forte mas ao lado aos 19′; porque o míssil de pé esquerdo de fora da área de Bruno César bateu com estrondo no poste (31′); porque Podence atirou também por cima numa das raras vezes em que os centrais contrários foram apanhados em contra-pé (34′); e porque o cabeceamento de Bas Dost em plena área após cruzamento da direita saiu desenquadrado (43′).

O intervalo chegou com um Sporting superior, melhor em todos os capítulos de jogo, mas sem marcar. E havia uma curiosidade para a segunda parte: nos últimos seis encontros em que tinham chegado a zero ao intervalo na presente época em Alvalade, os leões tinham ganho apenas por uma vez frente ao V. Setúbal.

Não houve grandes mudanças nas principais características do encontro após o reatamento: o conjunto de Jorge Jesus mantinha o domínio do jogo, Podence voltou a ter outro remate cruzado ao lado (47′), mas parecia faltar sempre qualquer coisa. E essa “qualquer coisa” eram na verdade três: a subida mais frequente de Petrovic no campo para poder criar desequilíbrios em vez de andar naquele ritmo de jogar numa área de cinco metros quadrados; uma melhor qualidade de jogo pelo corredor central através de Battaglia; e mais presença na área em zonas de finalização (muitas vezes Gelson Martins e Podence ganhavam no 1×1 mas depois a luta de Dost era de 1×3). Já o Famalicão quase não existia na frente, mas quando lá ia rematava com perigo (Vítor Lima, 59′).

O técnico do Sporting teve a mesma leitura e lançou Bruno Fernandes no lugar de Petrovic. O médio que teve agora as duas primeiras internacionalizações pela Seleção Nacional A até entrou quase a ver um cartão amarelo, mas em nada ficou condicionado e, após uma insistência sua, ganhou um canto que foi transformar ao lado direito do ataque para Coates que, saltando bem mais alto do que o adversário direto, inaugurou o marcador (65′).

O golo tranquilizou a equipa mas, também de bola parada, João Faria foi lá à frente tentar imitar o uruguaio. Encontrou pela frente Rui Patrício em mais uma noite inspirada onde encheu a baliza (73′) e, oito minutos depois, o jogo ficou decidido com mais uma assistência de Bruno Fernandes (que já tinha acertado em cheio na trave aos 77′), desta vez para a cabeça de Bas Dost (81′). Rui Costa ainda teve um penálti para reduzir a desvantagem (num lance onde Mattheus Oliveira, acabado de entrar, fez falta mas Anderson Silva estava em fora-de-jogo quando abordou o lance), mas nem assim Rui Costa superou o número 1 leonino.