Entre 2011 e 2014, Bryan Ruíz “fazia” a notícia: foi convidado pelo jornal Al Día para escrever um artigo de opinião, a colaboração começou a ser regular, fixou-se ao domingo e terminou no ano anterior a ingressar no Sporting. Ao todo, foram 228 colunas sobre a atualidade do futebol de quem sabe como ninguém do mesmo. E “criou” artigos, porque muitas vezes as ideias que expressava alimentavam outros órgãos locais. No Sporting, após a dispensa no final da última temporada, o costa-riquenho deixou de ser notícia; esta noite, voltou a ser.

A noite mais fácil da vida de Doumbia e a pior (culpem o Gelson…) para os “rins” do Vilaverdense

O canhoto é um caso raro por Alvalade, um “tribunal” que raramente perdoa os jogadores que falham nas alturas mais importantes: em 2015/16, na primeira (e melhor) temporada pelos leões, falhou uma oportunidade flagrante em Guimarães na pequena área e, uma semana depois, repetiu o gesto na receção ao Benfica que acabaria por ser decisiva para o título. Ainda assim, toda a grande época que fez acabou por imperar e os adeptos tinham grande empatia com Bryan Ruíz. No entanto, após a última época, tudo mudou.

Houve muita especulação sobre os motivos da dispensa: um treino onde teria deixado Jesus irritado por, tal como Schelotto, ter voltado a chegar sem caneleiras; desentendimentos de ordem técnica que teriam motivado a condição de suplente nos últimos jogos; quebra face à produção conseguida em 2015/16. Uma coisa é certa: o Sporting não contava com o jogador e o jogador sabia que não contava para o Sporting, mas nem isso fez com que aceitasse três propostas que chegaram a Alvalade e que eram vantajosas para todas as partes.

Assim, e depois de ter estado concentrado na seleção da Costa Rica (onde é capitão e grande estrela), regressou à Academia para treinar à parte e chegou a trabalhar com os juniores antes de reintegrado no plantel principal. “Foi uma decisão minha. Ele sabe perfeitamente aquilo que lhe disse. No princípio da época achou que não teve nenhuma proposta de uma equipa que o satisfizesse desportivamente. É um jogador muito sério e um grande profissional, que trabalhou nestes meses sempre com grande responsabilidade. Ao longo destes dias encontrei-me com ele várias vezes e disse-me que queria ser campeão no Sporting. Isso marcou-me”, explicou Jorge Jesus.

Tinha de olhar para ele e respeitá-lo como jogador – eu respeitei-o sempre como pessoa e a minha decisão foi técnica. Achei que era o momento de ele poder fazer parte do plantel. O Sporting continua a pagar-lhe, está inscrito e ele está feliz”, comentou o técnico leonino.

Contra o Vilaverdense, a contar para a Taça de Portugal, Bryan Ruíz voltou a ser titular sete meses depois, jogando 60 minutos até dar lugar a Podence. E até esteve no lance do primeiro golo de Doumbia, em cima do intervalo, mesmo atuando na posição em que era mais frequente atuar (ala esquerdo)… e que tem tendência para mudar.

“O Bryan Ruiz é um jogador que pode fazer mais do que uma posição. Perdeu muito tempo, não só porque tomei uma decisão, mas também porque se lesionou, e está a apanhar um comboio difícil, com andamento muito alto. Tenho a certeza que nos vai ajudar muito e pode ser um reforço de janeiro para o Sporting. Faz de avançado, pode fazer mais posições e o lugar do Adrien. Aliás, penso que será o lugar dele no futuro. Passará mais a ser organizador de jogo. Segundo médio, se assim quiserem chamar. Há quem lhe chame posição 8, eu não. Poderá ser mais um segundo médio no futuro”, destacou Jorge Jesus na conferência de antevisão do jogo com o Vilaverdense.