O Tribunal Eleitoral das Honduras declarou no domingo Juan Orlando Hernandez presidente do país e o vencedor das disputadas eleições de novembro, mas a oposição não reconhece os resultados, adiantou a Associated Press (AP).

O presidente do tribunal eleitoral, David Matamoros, fez o anúncio no domingo à noite, depois de três semanas de incerteza e protestos violentos, que fizeram pelo menos 17 mortos.

O candidato opositor Salvador Nasralla alegou fraude eleitoral, contestando a contagem de votos e disse não reconhecer os resultados oficiais do tribunal eleitoral, apelando a novos protestos esta segunda-feira.

Já a 8 de dezembro, a Aliança de oposição contra a ditadura (esquerda), do opositor Salvador Nasralla, tinha declarado perante o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) que houve “alteração (do processo eleitoral) devido a uma fraude do processo de escrutínio”, pondo em causa a reeleição do presidente cessante Juan Orlando Hernandez.

“Eles (os magistrados do TSE) sabem que este processo foi totalmente abortado, é um processo com fraudes por todos os lados”, afirmou Salvador Nasralla, citado pela agência France Presse (AFP), depois de ter apresentado recurso na companhia do advogado da Aliança, Marlon Ochoa.

O advogado disse à AFP que “a lei prevê a possibilidade de pedir a anulação da votação, do escrutínio e da contagem dos votos”. “Então, apelamos à lei”, afirmou.

Nasralla declarou-se Presidente eleito no mesmo dia das eleições de 26 de novembro, algo que também fez Hernández, antes de o Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) publicar os primeiros resultados oficiais na madrugada do dia seguinte.

De acordo com os resultados oficiais, Juan Orlando Hernández conquistou a reeleição, com 42,98% dos votos, enquanto o seu adversário de esquerda, Salvador Nasralla, obteve 41,38%. No entanto, o TSE recusou na altura declarar um vencedor, enquanto não expirasse o prazo de recurso e de impugnação dos resultados, que terminou precisamente esta sexta-feira.

Centenas de hondurenhos protestaram na sexta-feira, 08 de dezembro, nas ruas da capital, Tegucigalpa, contra a suposta fraude nas eleições e a potencial reeleição do Presidente Juan Orlando Hernández, numa altura em que as autoridades eleitorais ainda analisavam o processo.

Os manifestantes, incluindo alguns a bordo de motociclos, carregaram tochas, bandeiras azuis e brancas (as cores da bandeira nacional), bem como vermelhas, da Aliança da Oposição contra a Ditadura, partido do candidato Salvador Nasralla.

Também exibiram cartazes com mensagens contra a suposta fraude alegadamente forjada contra Nasralla para dar a vitória a Hernández, Presidente cessante e candidato a uma polémica reeleição, ecoando ‘slogans’ como “Não à reeleição!” ou “Fora JOH” (Juan Orlando Hernández).