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Revolução! Novo C4 Cactus é barato e parte a loiça

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A Citroën apresentou o novo C4 Cactus, modelo que mata o C4 berlina e melhora em qualidade e equipamento. É barato, mas assume-se o mais confortável da classe, graças às novas suspensões e bancos.

O primeiro C4 Cactus foi uma lufada de ar fresco para a marca francesa, exibindo um estilo moderno mas ousado, diferente de tudo o que existia à época no segmento, o que lhe permitia reclamar uma personalidade muito própria. Esta sensação era reforçada por soluções práticas, mas estranhas, como os airbumps laterais – as almofadas que protegiam a carroçaria de eficácia duvidosa e apuro estético discutível. Um dos maiores argumentos residia no preço acessível, a torná-lo uma das propostas mais competitivas entre os veículos que militavam entre o segmento B e C. O modelo francês tinha ainda a vantagem do design esgrimir características que podiam apelar à moda do momento e a uma clientela que, cada vez em maior número, perseguia modelos com ares de SUV.

Mas a Citroen tinha um outro representante no segmento C, uma berlina de cinco portas denominada C4, de concepção mais convencional e discreta, apesar de ser consideravelmente melhor em qualidade e maior em preço, cuja popularidade e consequente volume de vendas foram rapidamente ultrapassados pelo Cactus, desde que chegou ao mercado em meados de 2014.

Um Cactus que vale por dois

Com o novo C4 Cactus, agora apresentado, a Citroën decidiu substituir dois modelos por apenas um, ou seja, matou (a breve prazo) o C4 normal, e civilizou o Cactus antigo, acabando com a sua incursão pelo campo dos SUV, segundo alega o construtor. Contudo, em termos estéticos, isso não corresponde bem à realidade. Mais que não seja porque continuam presentes os plásticos a proteger os guarda-lamas, entre outros argumentos similares aos que se podem encontrar no C3 Aircross.

A base do modelo é a mesma mas, só no exterior, 80% das peças são novas. Desaparecem os airbumps laterais, surgindo em seu lugar uma solução de menores dimensões e meramente embelezadora, em plástico rígido, em vez das almofadas anteriores macias. Novo é também o seu posicionamento, uma vez que as novas protecções laterais estão mais em baixo, junto à embaladeira, como já acontecia no C3 e no C3 Aircross, o que resulta substancialmente mais elegante, em termos estéticos.

Outra característica marcante da anterior geração do modelo, a tampa da mala com uma zona pintada numa cor contrastante e mais escura – mais um truque para lhe reforçar o ar de SUV – também desapareceu, tudo para dar um ar mais refinado ao Cactus e permitir-lhe bater-se com as berlinas do segmento, ditas normais. Também os farolins ganharam dimensão, sendo agora maiores, fazendo com que o modelo pareça mais largo e contribuindo para uma maior sensação de elegância.

Provavelmente a maior diferença surge na frente, onde o novo C4 Cactus exibe uma solução estética em ponto grande, mas em linha com o que já vimos nos também novos C3 e C3 Aircross, com um estilo mais arredondado e volumoso. E atraente, com a Citroën a continuar a provar que é, das marcas da PSA, a que possui a imagem mais forte e visualmente mais convidativa.

O Cactus continua com 4,17 metros de comprimento e uns interessantes 2,6 metros na distância entre eixos, medidas não muito grandes, que lhe permitem continuar a anunciar um peso relativamente reduzido dentro do segmento C, com a marca a anunciar valores, em média, inferiores em 125 kg. Isto apesar da mais recente geração ter aumentado em cerca de 40 kg o peso, face ao modelo de há três anos, “gorduras” que são imputadas ao reforço da insonorização e do equipamento.

Silêncio! Vem aí mais equipamento

Uma vez a bordo, o C4 Cactus mantém o espaço que já conhecíamos da versão anterior, mas as diferenças abundam. Primeiro, investiu-se fortemente no refinar do veículo, especialmente no que pode beneficiar o silêncio no habitáculo. Mais material de insonorização é utilizado para impedir que o barulho da mecânica invada o espaço dos passageiros, material que também é aplicado na zona inferior do chassi e nas embaladeiras, tudo para reduzir o ruído de rolamento.

O tablier mantém a linha já conhecida, mais baixa e plana, o que incrementa a sensação de espaço, o que é só possível porque o airbag do passageiro está montado no tejadilho, e não por cima do porta-luvas. Os materiais melhoraram, sem ser de uma forma espectacular, tanto mais que continuam a existir plásticos duros, mas a construção parece-nos mais cuidada e os acabamentos também.

Os bancos também evoluem (de que falaremos mais à frente), sendo ligeiramente mais envolventes e confortáveis, desaparecendo o banco corrido à frente pela necessidade de montar ao centro o comando da caixa automática, que passa a estar ao serviço de algumas versões.

Além da maior quantidade de material insonorizante, o novo Cactus investiu igualmente em vidros mais espessos, pára-brisas acústico e borrachas mais eficazes nas portas, tudo para manter fora do habitáculo os ruídos que só incomodam.

Nem só de equipamento de conforto vive o novo modelo, uma vez que as ajudas ao condutor não foram esquecidas. Além da travagem de emergência automática em cidade e da detecção de ângulo morto, o Cactus passa a ser capaz de perceber quando o condutor está sonolento ou abandona inadvertidamente a sua faixa de rodagem, dando igualmente uma mão nas manobras de marcha-atrás e no reconhecimento dos sinais de trânsito.

Amortecedores mágicos

Não são construídos por David Copperfield ou por qualquer outro mago de renome internacional, mas isso não impede os amortecedores fabricados pela Kayaba e desenvolvidos pela Citroën de cometer a proeza de optimizar o conforto, sem fazer disparar os custos, como aconteceria se estes fossem reguláveis. Denominados amortecedores com batentes hidráulicos progressivos, o novo equipamento que aqui surge ao serviço do Cactus, mas que foi estreado no C5 Aircross, já introduzido no mercado chinês, garante um superior nível de conforto.

Essencialmente, é que como se o amortecedor hidráulico convencional possuísse nas suas extremidades outros pequenos amortecedores hidráulicos, em substituição dos tradicionais batentes, que limitam o curso da suspensão e se tornam muito desagradáveis e desconfortáveis, quando são colocados à prova. Com esta solução, a Citroën consegue ter uma zona central do curso de suspensão mais macia, para depois se tornar mais dura junto ao fim do curso, sem ter de recorrer a amortecedores pilotados, substancialmente mais onerosos.

Além das suspensões, o C4 Cactus está ainda equipado com novos assentos, com menos espessura de espuma macia (15 mm em vez de 20 mm), a que se segue uma espuma mais densa e uma estrutura que a mantém no sítio, suportando melhor o corpo e assegurando um maior conforto. Tudo parte do conceito Citroën Advanced Comfort, que a marca francesa agora defende para toda a sua gama.

Motores já conhecidos. Diesel e a gasolina

É quando a mecânica está em cima da mesa que o novo Cactus tem menos novidades para nos dar. Há motores a gasolina e diesel, os primeiros com as versões 1.2 PureTech de 82, 110 e 130 cv, enquanto os que consumem gasóleo estão representados pelo 1.6 BlueHDI de 100 e 120 cv. Novidades nas motorizações, apenas a possibilidade do C4 Cactus ter acesso às versões mais potentes, com respectivamente 120 e 130 cv.

Caso o cliente o deseje, há motores que podem estar acoplados a caixas automáticas, com a vantagem de serem caixas convencionais, mais eficazes e agradáveis de utilizar, com conversor de binário, e não soluções com embraiagem pilotada.

Com acesso a motores mais possantes e continuando a usufruir de um peso mais reduzido do que a maioria dos concorrentes dos segmento C, em relação aos quais é igualmente mais pequeno, o novo Cactus anuncia níveis muito interessantes de consumos, baixos, e de acelerações, elevadas.

Quando chega e por quanto?

Depois de estar previsto para o primeiro trimestre de 2018, sabe-se agora que o C4 Cactus apenas vai dar entrada no mercado português em Abril, isto apesar de ter a sua comercialização em França agendada para Fevereiro. A Citroën não deverá ter os preços do novo C4 Cactus fechados antes do final de Janeiro, mas se considerarmos que a política da marca é praticar um preço já apelativo à partida, sem o inflacionar na tabela de vendas, para depois efectuar grandes descontos, é bem provável que o novo C4 Cactus se posicione algures entre os valores praticados pelo antigo e os propostos pela berlina C4, que, é bom recordar, é mais comprida (4,33 contra 4m,17 metros) e tem mais mala (380 contra 358 litros).

Não será pois de admirar que o novo C4 Cactus venha a ser proposto por pouco mais de 19 mil euros na versão de 82 cv a gasolina e nível de equipamento Live, ou seja, cerca de 1.000 euros acima do que hoje acontece, embora o novo modelo inclua de série mais equipamento.

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