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Daimler

Mercedes. Indústria automóvel afectada por greves

Enquanto em Portugal é a fábrica da Volkswagen a debater-se com questões laborais, na Alemanha é a Mercedes, entre outras, que está a ser pressionada pelos trabalhadores, com exigências semelhantes.

Autor
  • Francisco António

Na Alemanha, dezenas de milhares de trabalhadores industriais avançaram com a marcação de curtos períodos de greve, na passada terça-feira, em apoio das pretensões já manifestadas pela união de sindicatos IG Metall. Em causa está um aumento salarial de 6% e a implementação daquele que será o primeiro corte no horário semanal de trabalho, desde a década de 80.

Entre as companhias atingidas por esta paralisação está a Daimler, grupo que agrega as marcas Mercedes-Benz e Smart, que acabou por ser afectada pela paragem de cerca de 10 mil trabalhadores. Os quais são, no entanto, apenas uma pequena parte dos 425 mil trabalhadores que decidiram aderir ao protesto.

Numa altura em que a economia da União Europeia continua a crescer e o desemprego exibe valores invulgarmente baixos, a maior união de sindicatos da indústria na Alemanha, a IG Metall, acredita ser possível conseguir uma melhoria das condições para os cerca de 3,9 milhões de trabalhadores dos sectores metalúrgico e de engenharia, segundo noticia a agência Reuters.

Em declarações à mesma agência, responsáveis da união sindical admitiram já a possibilidade de avançar para períodos de greves de 24 horas, como forma de pressão.

Horários de 28 horas semanais para apoio à família

A IG Metall pretende uma redução no horário de trabalho das actuais 35 horas para apenas 28, nos casos em que o trabalhador tenha de cuidar de filhos, idosos ou parentes doentes. Não perdendo, por outro lado, o direito a regressar ao trabalho, nas condições anteriores, após dois anos na condição de excepção.

O sindicato garante estar preparado para enfrentar um longo período de confronto, graças às contribuições feitas pelos trabalhadores ao longo do último ano, que permitiram que a estrutura passasse de um fundo de 84 milhões de euros para acudir às necessidades dos trabalhadores em greve, para os 561 milhões de euros.

“Neste momento, podemos dizer que temos capacidade financeira suficiente “para enfrentar uma greve longa”, afirma o elemento do sindicato Juergen Kerner. “Os nossos cofres estão bem abastecidos”, assegura, dando a entender que estão garantidos os rendimentos dos trabalhadores, durante a greve.

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