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Quem é Rosemarie Aquilina: a juíza que condenou Larry Nassar a 175 anos de prisão

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Larry Nassar foi condenado a 175 anos de prisão. A juíza, Rosemarie Aquilina, tornou-se a personagem principal de todo o julgamento. Passou pelo exército, pela rádio e escreveu um livro.

Rosemarie Aquilina tem 59 anos e teve dois filhos enquanto tirava o curso de Direito

Getty Images

“Não lhe confiava nem os meus cães”. Foi esta a frase que a juíza Rosemarie Aquilina utilizou para explicar o que pensa sobre Larry Nassar, o médico da seleção olímpica norte-americana de ginástica que durante 20 anos abusou sexualmente de centenas de atletas.

Larry Nassar, que já tinha sido condenado a 60 anos de prisão por posse de pornografia infantil, foi esta quarta-feira novamente condenado: desta vez, a 175 anos de prisão que começam a ser cumpridos com um prazo de 40, mas que serão posteriormente agravados para que não mais saia da cadeia. Ao longo de sete dias, o médico ouviu os testemunhos emocionados e muitas vezes revoltados das atletas, dos pais das atletas e dos treinadores com quem trabalhou. Mas as frases mais fortes tiveram outra autora: a juíza, Rosemarie Aquilina, nunca escondeu a vontade de condenar Nassar, algo que, segundo o que disse, fez com “toda a honra e privilégio”.

A atitude da juíza ao longo de todo o julgamento foi invulgar e algo incómoda, principalmente para Larry Nassar. O Independent conta que, no fim do segundo dia de audições, o médico decidiu escrever uma carta a Rosemarie Aquilina onde pedia para ser dispensado de ouvir os testemunhos que restavam. “Não sei se vou conseguir ouvir mais um dia de declarações, é um circo para os meios de comunicação e não sei se consigo aguentar”, escreveu Nassar. Em resposta, a juíza limitou-se a dizer que o médico “não vale o papel onde escreveu” e acrescentou que “passar quatro ou cinco dias a ouvir o que têm para dizer agora é menor, considerando as horas de prazer que teve às custas delas, arruinando as vidas delas”.

Durante os sete dias de audições, a juíza não se inibiu de comentar os testemunhos dos mais de 150 atletas, pais e treinadores que passaram pela sua sala de tribunal. As frases, poderosas e de encorajamento, provocaram capas de jornais, notícias e principalmente tweets um pouco por todo o mundo. Em resposta a Taylor Cole, uma mulher que diz sofrer com ansiedade e pesadelos devido aos anos de abusos, disse: “Afasta esses pesadelos, ele foi-se, as tuas palavras substituem o que ele te fez”; a outra vítima, garantiu que queria que “a toga tivesse uma varinha mágica para a abanar sobre ela e curá-la, mas isso são contos de fadas”; e a uma outra atleta, explicou que “tal como no ‘Feiticeiro de Oz’, o monstro vai murchar”.

A filha de uma alemã e um maltês que acredita no american dream

Rosemarie Aquilina tem 59 anos. É filha de mãe alemã e pai maltês e emigrou para os Estados Unidos em criança. Segundo a BBC, os pais venderam-lhe a história do american dream e Rosemarie viu na justiça a melhor maneira de aproveitar aquilo que lhe tinha sido dado. Teve dois filhos enquanto tirava o curso de Direito e depois de exercer durante 10 anos, decidiu alistar-se no Exército norte-americano. Foi a primeira mulher a tornar-se Judge Advocate General no Michigan e foi aí que ganhou a alcunha “Barracuda Aquilina” (barracuda é um peixe conhecido pelo comportamento feroz).

De acordo com um perfil de 2014, disponível no site do Tribunal de Ingham County, Rosemarie Aquilina descreve-se como uma pessoa “lutadora, que não leva um não como resposta”. “Defendo as pessoas e digo ‘vamos fazer o que está correto'”, escreve. É professora de Direito em duas universidades e já teve um programa em nome próprio numa rádio sindical. Em dezembro, estreou-se na escrita. Lançou o primeiro romance policial, “Triple Cross Killer”, que segue “uma equipa de detetives à procura de um assassino assustador”.

Em 2013, saltou para a atualidade norte-americana quando decidiu que a insolvência do Estado de Detroit era inconstitucional. Em 2018, foi notícia para a atualidade internacional ao condenar Larry Nassar a 175 anos de prisão. “Acabei de assinar a tua sentença de morte”, disse Rosemarie Aquilina no final da condenação.

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