Primeiro, a estreia — em salas de cinema limitadas — foi adiada por colidir com as comemorações do aniversário do fim da batalha de Estalinegrado. Agora, a proibição final. “A Morte de Estaline”, um filme de humor negro de Armando Iannucci, não vai mesmo passar em qualquer sala de cinema da Rússia.

Uma ante-estreia para altas figuras das artes no país causou a suspensão da licença de distribuição do filme. O The Guardian conta que o ministro da Cultura russo recebeu uma carta assinada por 21 pessoas a pedir a proibição do filme e a insinuar que o mesmo quebrava várias leis do país.

O filme ridiculariza a história do nosso país e denigre a memória dos nossos cidadãos que conquistaram o fascismo”, podia ler-se na carta enviada a Vladimir Medinsky, de acordo com a agência Tass.

A diretora da Sociedade Histórica e Militar Russa disse à Reuters que “A Morte de Estaline” é “desprezível”, acrescentando que “é um mau filme, é um filme aborrecido e é vil, repugnante e nojento”. Já o Partido Comunista Russo, o segundo partido com mais assentos no parlamento russo, acusou o filme de ser “uma forma de pressão psicológica contra o país”.

Armando Iannucci, por seu lado, garante que “todos os russos que viram o filme até agora, incluindo a imprensa russa, disseram-me o quanto o apreciaram”. O realizador e argumentista – que é um dos criadores da aclamada série “Veep” – diz que ainda tem esperança de conseguir que o filme passe nos cinemas da Rússia.

“A Morte de Estaline” é uma comédia negra que gira à volta do pós-morte do histórico líder russo e venceu quatro prémios British Independent Film.