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Foram horas e horas de negociação, mas perto das quatro da manhã saiu fumo branco: Rui Rio e Pedro Santana Lopes chegaram a acordo para listas conjuntas  aos principais órgãos nacionais (Conselho Nacional, Conselho de Jurisdição e Mesa do Congresso), excluindo a Comissão Política Nacional. Pelas 03h57, o diretor de campanha de Rio, Salvador Malheiro, confirmava ao Observador: “Já temos acordo.” O mesmo faria João Montenegro, diretor de campanha de Santana, horas depois. Nas listas, os lugares estão divididos de acordo com a proporcionalidade das diretas: 54%-46%. O acordo já não cai, mas este sábado vão continuar a ser discutidos quem são os nomes que ocupam os lugares.

O acordo foi selado no hotel do PSD, o Sana do Marquês de Pombal, onde estava hospedado Rui Rio, às 04hoo. Antes disso, João Montenegro e Salvador Malheiro — que são amigos, mantiveram sempre um tom cordial e tentaram salvar o acordo — em conjunto com outros membros das equipas de ambos os lados, como Pedro Pinto e Henrique Araújo estiveram várias horas a discutir numa espécie de camarim por detrás do palco da sala onde decorre o Congresso do partido.

O gabinete improvisado era um contentor branco, entre baias, vasos de plantas e um extintor, que se destacava por ter uma folha A4 com letras garrafais a dizer “Salvador Malheiro”. O diretor da campanha de Rui Rio falava alto e a sua voz não era indiferente a quem ali passava. O homem escolhido por Rio para liderar as negociações esteve de pé a maior parte do tempo. À mesa, no espaço de cerca de oito metros quatros, estavam sentados os restantes elementos das equipas negociais. Reuniram-se cerca da meia noite e meia, quando ainda eram apresentadas as moções temáticas no Centro de Congressos de Lisboa.

A sala improvisada para as negociações entre as duas equipas foi instalada ao fundo do pavilhão, exatamente atrás do busto de Francisco Sá Carneiro (que é trazido da sede nacional e não falta em nenhum congresso). Ali, discutiram-se nomes e posições nas listas aos vários órgãos nacionais, pelo menos até a equipa responsável pela segurança do espaço fazer sinal. “Temos 10 minutos, é isso?”, confirmou Henrique Araújo, braço-direito de Salvador Malheiro na Câmara de Ovar e elemento fundamental na disputa entre Rio e Santana. A essa hora, poucos minutos depois das 2h da manhã, ainda não havia acordo.

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Salvador Malheiro confirmou isso mesmo ao Observador enquanto abandonava o centro de congressos. Era preciso acertar “nomes e lugares”, mas o tom era otimista. Pedro Pinto, que também esteve na sala no final da noite, acreditava no acordo. Estava difícil chegar a um entendimento? “Acho que não, até ao fim ainda há tempo”, admitia ao Observador o apoiante de Santana Lopes na corrida interna.

O camarim onde se discutiu, durante horas, o acordo

Por volta das 02h15 as equipas separaram-se. Precisaram de falar a sós, para ultimar detalhes. Mas voltaram a juntar-se perto das três da manhã no Hotel Sana, junto do Marquês de Pombal. Foi lá que chegaram a acordo, cerca de uma hora depois. O grande problema das negociações foi, confirmou o Observador junto de fontes próximas do processo, “sobretudo o número de pessoas que cada um dos lados deveria ter” nas listas. Ou seja: ambos os lados esticaram a corda ao máximo para conseguirem o máximo de representação possível dos seus nas listas aos órgãos nacionais.

Tanto João Montenegro como Salvador Malheiro já tinham as “linhas vermelhas” de Santana e Rio bem estudadas, não tendo trocado muitos contactos com os respetivos líder durante as várias horas de negociação. O último terá sido feito já perto das três da manhã, quando Santana e Rio terão validado a solução encontrada.

O diretor de campanha de Santana Lopes nas diretas, João Montenegro, explicou ao Observador que este acordo é uma “forma de acentuar a unidade do partido” e que, de ambas as partes, houve sempre uma “grande vontade” de garantir essa unidade. João Montenegro enquadra o acordo também numa ação mais ampla de promover a unidade do partido, que incluiu a chegada de Santana ao Congresso ao lado de Rui Rio. E explicou ainda ao Observador que o acordo foi feito para todos os órgãos menos para a Comissão Política Nacional, por ser “um órgão de confiança do líder do partido”. Ou seja, aí, a escolha é, como habitual, da exclusiva responsabilidade do presidente do PSD.

Santana a número 1, Arlindo Cunha e Telmo Faria nos primeiros lugares

Tal como tinha sido veiculado numa fase inicial, Santana Lopes mantém-se como “número um” da lista apoiada por Rui Rio ao Conselho Nacional. Nos primeiros dez lugares da lista estão já confirmados nomes como Paulo Rangel (que já revelou ser o nº2), o secretário-geral cessante José Matos Rosa, Arlindo Cunha e Telmo Faria.

Durante este sábado vão continuar as negociações sobre nomes e lugares. João Montenegro e Salvador Malheiro vão continuar a discutir, mas já nada abalará o acordo. Até as 19h00 as listas terão de ser entregues à mesa. Já há também movimentações para várias outras listas ao Conselho Nacional, havendo listas alternativas à do líder para o Conselho Nacional de Jurisidição.

O semanário Expresso deste sábado avançava com nomes de vários dos órgãos do PSD:

  • Paulo Mota Pinto, antigo vice-presidente do PSD (no tempo de Ferreira Leite) será o candidato da lista apoiada por Rui Rio à presidência da Mesa do Congresso.
  • Nunes Liberato, antigo chefe da Casa Civil de Cavaco Silva, será o candidato da lista apoiada por Rui Rio à presidência do Conselho de Jurisdição do PSD.
  • Catarina Rocha Ferreira, advogada do Porto que ajudou David Justino com a moção de estratégia, é o nome escolhido para a Comissão de Auditoria Financeira.