Do lado direito do palco do Congresso, um contentor branco, entre baias, vasos de plantas e um extintor, destaca-se por ter uma folha A4 com letras garrafais que dizem “Salvador Malheiro”. Já depois das duas da manhã, era neste gabinete improvisado do diretor de campanha de Rui Rio nas diretas que se tentava salvar o acordo Santana-Rio para os órgãos nacionais. João Montenegro e Pedro Pinto, do lado de Santana Lopes, e Salvador Malheiro e Henrique Araújo, do lado de Rio, tentavam fazer todos os esforços para salvar o acordo.

Este é o camarim e cuja porta se pode ler o nome de Salvador Malheiro — que chefiou a campanha de Rio — e por onde passam negociações

No início da noite de sexta-feira, o entendimento era dado quase certo. Paulo Rangel, o primeiro nome indicado por Rio, até já tinha confessado que aceitava o convite para ser número dois da lista ao Conselho Nacional, mas exigências de última hora colocaram algumas pedras na engrenagem do acordo. “Ainda há discordância quanto a alguns nomes e lugares”, desabafava Malheiro já depois das duas da manhã, quando a reunião chegou ao fim.

As negociações entre o diretor de campanha de Santana Lopes, João Montenegro, e o diretor de campanha de Rui Rio, Salvador Malheiro, devem continuar pela manhã de sábado. Ao que o Observador apurou, há certos nomes que têm “veto” de um lado e de outro, o que fez com que endurecessem as negociações. Se o acordo falhar, Paulo Rangel será, provavelmente, o primeiro nome da lista apoiada pelo líder. O falhanço das negociações seria mau para Rio, que arriscaria ter um mau resultado, mas também para os santanistas que tinham garantido alguns lugares nos órgãos nacionais.

As listas só têm de ser entregues às 19h00 de sábado.