Durão Barroso sente-se “injustiçado” com as acusações de que terá feito lóbi pelo Goldman Sachs junto de Jyrki Katainen, vice-presidente da Comissão Europeia. O ex-presidente da Comissão não deverá reagir oficialmente à polémica, mas fonte próxima do antigo primeiro-ministro garante ao Observador que tudo não passa de uma “invenção“.

Durão Barroso está obviamente chateado. Isto é uma sacanice que lhe fizeram“, conta a mesma fonte. “Ele não fez lóbi nenhum. Encontrou-se com Katainen como se encontra com vários ex-colegas da Comissão Europeia para discutir questões políticas e económicas globais, não para procurar qualquer benefício para o Goldman Sachs International”.

O vice-presidente da Comissão Europeia assumiu que se encontrou com Barroso num hotel em Bruxelas para falar sobre “assuntos de comércio e defesa”. Apesar de Durão não estar a planear falar, o banco norte-americano está a preparar um comunicado em defesa do seu presidente não-executivo.

Ainda assim, ao Observador, fonte próxima de Durão Barroso aponta o dedo: “Estas notícias têm origem nos mesmos que ficaram furiosos com o facto de ele ter ido para o Goldman Sachs, por se tratar de um banco norte-americano. António Vitorino faz lóbi pelo Santander junto de comissários europeus e nunca ninguém disse nada. Porquê? Porque é um banco europeu”, nota a mesma fonte.

Para esta fonte próxima de Barroso, os ataques “são injustos e têm motivações políticas”, com origem no establishment alemão, que nunca o perdoou por ter assumido o cargo no Goldman Sachs. Não será indiferente, por isso, que a notícia tenha sido publicada em primeiro lugar no site da alemã Der Spiegel, sugere a mesma fonte. “Curiosamente, os mesmos alemães nunca contestaram o facto de Gerhard Schröder [antigo Chanceler alemão] ter sido nomeado [em 2016] presidente da Nord Stream 2, uma subsidiária da Gazprom“.

Como explicava aqui o Observador, Durão Barroso teve um encontro com o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, na qualidade de presidente não-executivo do Goldman Sachs International, contrariando, aparentemente, o compromisso de não fazer lóbi pelo banco norte-americano assumido quando deixou o cargo de presidente da Comissão Europeia.

O encontro entre os dois foi confirmado pelo próprio vice-presidente da Comissão Europeia, numa carta envida à Corporate Europe Observatory, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é expor, precisamente, os efeitos do lóbi corporativo nas decisões políticas tomadas no seio da União Europeia.