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O computador com a base de dados da Inspecção-Geral do Ambiente sobre a Celtejo foi roubado no dia 3 de fevereiro à porta do restaurante Pedro dos Leitões, na Mealhada, avançou o Expresso esta sexta-feira. O equipamento informático continha os elementos — em segredo de justiça — que tinham sido recolhidos pelos inspetores sobre a poluição que afectou o rio Tejo desde o fim de janeiro. A informação, no entanto, não se perdeu porque já tinha sido descarregada na sede da inspeção-geral, em Lisboa.

As autoridades policiais não consideraram que o furto tivesse como intenção prejudicar as investigações ambientais, adiantou o mesmo semanário na sua edição on-line: consideraram “mais um assalto, como muitos outros”. As câmaras de vigilância detectaram o movimento dos assaltantes, para levarem a mochila que estava em cima do banco.

O enfoque da investigação já tinha passado para as polícias, já tinha esclarecido o próprio inspetor-geral do Ambiente, Nuno Banza. No início de fevereiro, o Ministério Público notificou a Inspeção-Geral do Ambiente comunicando que os elementos recolhidos no caso da investigação à poluição no rio Tejo não podem ser divulgados, porque estão em segredo de justiça.

A Celtejo, empresa de pasta de papel, tem sido apontada como a principal responsável por descargas do tratamento da celulose que, ao longo do tempo, contribuíram para um excesso de concentração de carga orgânica do rio.

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Já tinha havido outras dificuldades na investigação. A Inspeção-Geral do Ambiente enfrentou “constrangimentos inusitados” na recolha de amostras de água perto das tubagens da empresa Celtejo, em Vila Velha de Ródão. Estas dificuldades, cuja causa não está explicada, “nunca tinham acontecido”, nem na Celtejo, nem em outro lugar, chegou a dizer o inspetor-geral do Ambiente, em conferência de imprensa a 5 de fevereiro.

Nuno Banza confirmou que os inspetores do ambiente tiveram por duas vezes problemas com os coletores automáticos que estão colocados ao pé das zonas de descarga da Celtejo. Na terceira tentativa, foi pedido o apoio da GNR e o coletor foi guardado durante 24 horas, mas mesmo assim continha apenas espuma e pouco líquido. Só à quarta tentativa, e depois de colocar três inspetores no local, por mais 24 horas, é que foi possível assegurar amostras completas das descargas da empresa que depois foram analisadas.

Ministério Público trava divulgação de mais análises sobre investigação à poluição no Tejo