As reservas internacionais angolanas renovaram em janeiro mínimos históricos, caindo para 13.069 milhões de dólares (10.586 milhões de euros), menos 2% face a dezembro, elevando a uma quebra superior a 6 mil milhões de euros, no espaço de um ano.

A informação resulta de dados preliminares do Banco Nacional de Angola (BNA), compilados esta terça-feira pela Lusa, sobre as Reservas Internacionais Líquidas (RIL), que no espaço de um mês perderam, em valor, 283 milhões de dólares (229 milhões de euros).

Estas reservas, que o BNA tem vendido aos bancos comerciais para garantir a importação de alimentos, máquinas e matéria-prima para a indústria, estão agora a menos de metade do valor contabilizado antes da crise da cotação do petróleo.

No início de 2014, antes da crise da cotação do petróleo, as reservas angolanas ascendiam a 31.154 milhões de dólares (25.234 milhões de euros). Além disso, só entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018, estas reservas perderam quase 38% do valor, o equivalente a 7.738 milhões de dólares (6.260 milhões de euros).

Angola enfrenta dificuldades financeiras, económicas e cambiais, tendo o BNA aumentado a venda de divisas (euros) à banca comercial angolana, que está sem acesso a dólares face à suspensão das ligações com correspondentes bancários internacionais.

Entre agosto de 2016 e julho de 2017, o banco central — que atualmente é o único fornecedor de divisas à banca comercial — aumentou a injeção de moeda estrangeira no mercado cambial primário, com vendas diretas aos bancos. No entanto, a partir das eleições gerais de 23 de agosto, essas vendas por parte do BNA caíram fortemente.

As reservas angolanas atuais garantem o equivalente a menos de meio ano de importações de alimentos, bens e equipamentos, tendo em conta as necessidades, numa altura de forte contenção na disponibilização de divisas aos bancos. As reservas contabilizadas pelo BNA são constituídas com base em disponibilidades e aplicações sobre não residentes, bem como obrigações de curto prazo.

Estas vendas feitas pelo BNA foram, entretanto, substituídas a 9 de janeiro pelo regime de leilão de preço com os bancos comerciais, que, em paralelo com a introdução do novo modelo de taxa de câmbio flutuante, definida pelo mercado, fez o kwanza depreciar-se já 30% face ao euro e mais de 20% para o dólar.

O Presidente angolano, João Lourenço, disse a 16 de outubro, na Assembleia Nacional, no discurso anual sobre o estado da Nação, que é necessário proteger estas reservas, mas sem que isso prejudique a recuperação económica.

“Vamos encontrar os melhores mecanismos para que as escassas divisas disponíveis deixem de beneficiar apenas a um grupo reduzido de empresas e passem a beneficiar os grandes importadores de bens de consumo e de matérias-primas e de equipamentos que garantam o fomento da produção nacional”, enfatizou.

“Importa impedir que a venda direta de divisas seja uma forma encapotada de exportação de capitais, sem o correspondente benefício para o país”, acrescentou.

Pouco mais de uma semana depois deste discurso, o governador do BNA, Valter Filipe, foi exonerado, tendo João Lourenço nomeado para as mesmas funções José de Lima Massano, que regressou ao cargo que ocupou até janeiro de 2015.