A Google voltou a alterar o logótipo para celebrar o Dia Internacional da Mulher, que é comemorado esta quinta-feira. Para marcar a data, assinalada desde o século XX para exigir a igualdade entre géneros, o motor de busca dedicou o “doodle” do dia às histórias de aventura, desafios mas também às alegrias de 12 mulheres comuns. O projeto, orientado por Lydia Nichols e Alyssa Winans, juntou ilustradoras como Anna Haifisch, Francesca Sanna e Karabo Poppy Moletsane. E vai mais longe: convida todas as mulheres do mundo a partilharem as suas próprias histórias com a hashtag #HerStoryOurStory — uma ideia que se poderá traduzir por “a história dela, a nossa história”.

Uma das histórias chama-se “A Vitória de Ntsoaki” e conta a aventura de uma rapariga que “estava destinada a fugir aos costumes da sua cultura”. Ntsoaki queria juntar-se aos rapazes, participar com eles no ritual de passagem para a vida adulta e depois poder lutar com os leões. O chefe da tribo acedeu ao pedido de Ntsoaki, que encontrou uma técnica diferente para vencer o leão: dançar até que ele se rendesse. A história, como todas as retratadas no “doodle”, termina bem: “A aldeia exultou-se com canções de júbilo pela vitória de Ntsoaki”.

A ilustradora Philippa Rice escolheu contar as histórias de uma futura mãe angustiada pelos medos da chegada de um bebé. “Porque deve o meu bebé confiar em mim?”, pergunta-se a personagem principal do conto enquanto pesquisa pelo tamanho do pé de um bebé na Internet. Até quando ele nasce, a mãe vive constantemente preocupada pelo facto de a criança chorar sempre que ela lhe tira a fralda, arrota depois de beber leite ou toma banho. A mãe desabafa: “É suposto confiar na minha intuição, mas não confio”. Na esperança de encontrar respostas, a mulher procura outras mães com quem possa partilhar os receios que tem.

Algumas das ilustrações nem sequer têm falas. É o caso de “O Telhado”, uma história desenvolvida pela artista Kaveri Gopalakrishan. Nesse conto, uma rapariga leva grandes volumes de livros e jornais para um telhado e lê todos eles até ao fim: quanto mais lê, mais se transforma. A certa altura, já metamorfoseada, a rapariga fica transformada numa grande andorinha e levanta voo. Para encontrar as outras nove histórias tem apenas de aceder ao site da Google e carregar no centro do logótipo para abrir um painel com as 12 histórias e selecionar aquela que quer explorar.

Por norma, a Google assinala o Dia das Mulheres ao recordar a biografia de cientistas, exploradoras ou atletas famosas que fizeram diferença na evolução do papel da mulher na sociedade. Desta vez, a ideia da Google foi diferente: “Hoje, quisemos aproveitar a oportunidade para celebrar as histórias e dar vozes a outro grupo de mulheres extraordinárias, que são mulheres comuns que vivem em todo o mundo”, explicam as orientadoras do Doodle. Cada história representa um momento, pessoa ou evento que afetou as vidas destas pessoas enquanto mulheres: “Enquanto cada artista conta uma história única, os temas são universais, lembrando-nos do quanto temos muitas vezes em comum. E de uma maneira que invoca sentimentos de compreensão, empatia e o espírito do dia”, esclarecem.

As doze histórias retratadas no “doodle” foram traduzidas para mais de 80 línguas e está disponível em todos os países do mundo: “Este projeto tem sido uma jornada incrível para nós, e ficamos sensibilizados pela franqueza, intimidade e bravura das histórias dos nossos colaboradores”, confessam Lydia Nichols e Alyssa Winans.