Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Marco van Basten ou Ruud Gullit. Impressiona, pois impressiona. É quase um poema. Isto em 1988.

No Olympiastadion, em Munique e contra a União Soviética, a Holanda (aquela Holanda de lourinhos e dreadlocks) venceu o Europeu. O treinador era o lendário Rinus Michels. Recuemos. Também no Olympiastadion, também com Michels a treinar, a laranja era já “mecânica”, mas até perdeu contra a Alemanha na final do Mundial de 1974. Mas havia Johan Neeskens, Rob Rensenbrink e, sobretudo, Johan Cruijff. Impressiona, pois impressiona.

A Holanda do presente, que nem à Rússia vai, impressiona pouco ou quase nada e o adepto de sofá mais distraído soltará um “quem?!” se se enumerar alguns dos titulares desta noite em Genebra: Kenny Tete, Donny van de Beek, Davy Propper… Quem?! Pois. Os jogadores mais “orelhudos” entre holandeses até são Virgil van Dijk, Gini Wijnaldum ou Memphis Depay — mas nem estes são de primeira linha europeia como (o agora retirado da seleção) Arjen Robben era.

A verdade é que a Holanda, hoje treinada por Ronald Koeman, goleou Portugal (chegou ao 3-0 na primeira parte e na segunda o placard não se alterou) no último particular antes de Fernando Santos divulgar a convocatória para o Mundial.

Há sempre duas formas de analisar a paupérrima exibição de Portugal. Copo meio vazio: da defesa ao ataque, ninguém (nem o do “costume”, Ronaldo, que disfarçou outra má exibição da Seleção contra o Egito com um bis) fez por merecer um lugar no Verão e isso é muito preocupante nesta altura do “campeonato”. Copo meio cheio: vai ser difícil, no Mundial, ter uma exibição tão fraca (a Portugal não escassearam só remates e oportunidades; escasseou quase tudo, ligação entre sectores, rasgo, vontade, e acabou vulgarizado pelos holandeses) como esta, no particular disputado na Suíça.

Da primeira parte há somente a contar os golos “visitantes” — em Genebra, Portugal estava como em “casa”.

João Cancelo, Rolando, José Fonte e Mário Rui não têm entrosamento. O segundo raramente é convocado e o último estreou-se esta segunda à noite. Fonte trocou o West Ham (onde era mais suplente do que titular) pela China e Cancelo não tirará o lugar a Cédric Soares ou Nélson Semedo por enquanto. Ainda assim, nada explica tanto espaço, tanta veleidade (os defesas foram quase levianos) nos três golos. Ao minuto 12, a Holanda foi trocando a bola a seu bel-prazer à direita, Donny van de Beek cruzou e, na grande área, Memphis Depay antecipou-se a Cancelo e desviou para o primeiro. O segundo foi ao minuto 32: Matthijs de Ligt cruzou para a grande área e Babel desviou, sozinho, batendo Anthony Lopes. A terminar, ao minuto 47, cruzamento à direita, Matthijs de Ligt amorteceu ao segundo poste e Virgil van Dijk rematou (sem oposição, claro está) para o terceiro.

Na segunda parte, e depois da expulsão de Cancelo ao minuto 62, pouco há para contar. E a melhor ocasião de Portugal no encontro aconteceu ao minuto… 74. Na certa “desceu” um Roberto Carlos em Mário Rui — que foi o melhor entre piores –, à esquerda e ainda distante da grande área o lateral encheu a canhota e rematou. Jasper Cillessen esticou-se todo para defender. Depois, e mesmo no final, duas ocasiões de enfiada. Ao minuto 89, livre à esquerda, Moutinho cruzou para a grande área, Gonçalo Guedes desvia de cabeça e Cillessen, o “espectador” Cillessen na baliza holandesa, fez uma defesa à semelhança da primeira: esticado, defendeu rente ao poste. No minuto seguinte, Gelson insiste pela direita, cruzou, André Silva desviou na pequena área, mas a confiança no desvio foi tanta ou tão pouca que, vindo de trás, Donny van de Beek ainda foi evitar o golo mesmo sobre a linha.

Agora é com Ferando Santos. Mas vai ser mais simples riscar do que incluir.