A presidente do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), Danièle Nouy, destacou esta segunda-feira a descida do crédito malparado nos bancos europeus, considerando, no entanto, que o rácio continua demasiado elevado em alguns Estados-membros. Danièle Nouy, que foi ouvida no Comité de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, a propósito do relatório anual do BCE, revelou que os “contínuos esforços para combater o crédito malparado resultaram numa descida global do rácio do crédito malparado dos 6,5% para os 5,2% para os bancos sob supervisão”, entre o terceiro trimestre de 2016 e o período homólogo de 2017.

“As nossas atividades de supervisão começaram a dar frutos. Nos últimos dois anos, observámos consideráveis esforços de importantes instituições, que conduziram a uma descida dos títulos de crédito malparado de cerca de 200 mil milhões de euros”, acrescentou. No entanto, de acordo com a presidente do Conselho de Supervisão do BCE, o rácio de NPL [da denominação técnica ‘non-performing loans’ em inglês], permanece demasiado alto em alguns Estados-membros, “uma situação que inibe novos créditos e impede [os bancos] de beneficiarem igualmente do crescimento económico da zona euro”.

Na sua intervenção inicial, Danièle Nouy lembrou que combater o elevado nível de crédito problemático que os bancos europeus têm no seu balanço é uma prioridade do BCE, e saudou o pacote de medidas proposto, em 14 de março, para reduzir o crédito malparado na União Europeia (UE). A responsável do BCE indicou ainda que, em 2017, pela primeira vez desde que foi estabelecido, o Conselho de Supervisão teve de declarar “em falência ou em risco de falência” três dos bancos que supervisiona diretamente, algo que atesta que o seu trabalho contribui para “um processo eficiente de gestão de crises”.

Nouy apontou as quatro prioridades do mecanismo único de supervisão do BCE para 2018, especificando que três delas transitam de 2017. “Primeiro, os modelos de negócios e os direcionadores de lucro dos bancos vão continuar como um foco de supervisão. Segundo, o risco do crédito permanecerá prioritário, com a ênfase a continuar nos NPL, assim como no escrutínio dos limites de concentração, em particular no setor imobiliário”, enumerou, acrescentando que a terceira será a de melhorar os processos internos dos bancos para garantir a liquidez e o capital adequados.

A nova prioridade do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu incidirá nos testes de stress e nos preparativos para a saída do Reino Unido da UE (‘Brexit’). Danièle Nouy concluiu o seu discurso com uma referência à União Bancária, defendendo que para esta ser bem-sucedida é necessário que haja “uma harmonização regulamentar” na UE, e que mais legislação bancária seja adotada sob a forma de regras e não de diretivas.