A União Europeia quer que o Reino Unido continue a ser um parceiro na política de cooperação com África e que mantenha as contribuições para o Fundo de Desenvolvimento Europeu depois do Brexit, afirmou esta segunda-feira um responsável. “O Ministério para o Desenvolvimento Internacional britânico e a contribuição britânica para o fundo de desenvolvimento europeu têm sido extremamente importante”, admitiu o diretor-geral para as questões africanas no Serviço Europeu de Acção Externa da UE, Koen Vervaeke.

O Fundo de Desenvolvimento Europeu recebeu 30,5 mil milhões de euros para o período 2014-20, tendo o Reino Unido contribuído com quase 15%. “Estamos a olhar para inscrição orçamental do Fundo de Desenvolvimento Europeu e queremos manter opções abertas em relação a países terceiros. E esperamos que o Reino Unido continue a contribuir para o esforço europeu”, afirmou.

Koen Vervaeke falava num seminário no Instituto Real de Relações Internacionais intitulado “Redefinir a Parceria: o relacionamento UE-África para além do Acordo de Parceria de Cotonu”. O atual Acordo de Parceria entre o grupo África, Caraíbas e Pacífico e UE foi assinado em 23 de junho de 2000 em Cotonou, no Benim por um período de vinte anos e vai expirar em fevereiro de 2020. O responsável europeu admitiu a saída britânica da UE terá impacto nas questões africanas e que o acordo pós-Cotonu “não será o mesmo” sem o Reino Unido.

“O Reino Unido tem sido um parceiro muito importante na política com África, um ator chave na política UE-África. Devemos tentar garantir uma política entre o Reino Unido e África que ainda seja próxima da europeia, baseada em valores e interesses comuns”, salientou. Na sequência de um referendo popular em 2016, o Reino Unido está atualmente a negociar a saída da União Europeia, marcada para 29 de março de 2019, embora esteja previsto um período de transição até ao final de 2020.