Turquia

“A Casa de Papel” acusada de propaganda contra Erdogan na Turquia

"A Casa de Papel" está a ser alvo de críticas pelos apoiantes de Recep Tayyip Erdogan depois de um trailer partilhado pela Netflix Turquia. Dizem que há mensagens políticas para opositores do governo.

Centro de Kadiköy, que aparece no trailer partilhado pela Netflix Turquia

A série espanhola da Netflix que está a dar que falar correu (e corre) mundo. Até agora, apenas por bons motivos: um enredo especial, personagens carismáticas com nomes de cidades e o suspense sempre presente. Sim, estamos a falar de “A Casa de Papel”. A segunda temporada da criação de Álex Pina está, contudo, a ser alvo de críticas na Turquia depois de um trailer partilhado pela Netflix Turquia no Twitter oficial. O comentador televisivo Ömer Turan, da Akit TV, considera que a segunda temporada tem “mensagens subliminares para os opositores do presidente Erdogan”.

O comentador turco fez vários comentários no Twitter sobre o trailer da segunda temporada de “A Casa de Papel” — que pode ver abaixo. “No trailer, homens e mulheres com macacões vermelhos atravessam os sítios mais simbólicos em Istambul com a música “Bella Ciao” e dirigem-se para o seu ponto de encontro, Kadıköy”, escreve Turan no seu Twitter, acrescentando que “vocês podem achar normal que eles se encontrem em Kadıköy, o símbolo da oposição a Erdogan, mas eu não acho que seja normal”.

O comentador considera que a mensagem é dirigida aos partidos opositores ao AKP, partido islamista-conservador no poder na Turquia desde 2002. Como escreve o jornal El Español, as mensagens incitam a oposição, “especialmente os membros do FETO, (organização terrorista) a sair às ruas”. Turan diz que a mensagem pode mesmo conduzir a um golpe militar.

Numa das partes do trailer pode ainda ler-se “Berlín é o nosso pai”, o que, para o turco Turan “não é [uma mensagem] subliminar, é uma mensagem clara e internacional”.

Os utilizadores do Twitter e fãs da série tentaram mesmo explicar ao comentador que a série fala sobre um assalto à Casa da Moeada espanhola, na qual os assaltantes, que vão imprimir o seu próprio dinheiro — 2,4 mil milhões de euros –, têm nomes de cidades e Berlín, interpretado por Pedro Alonso, é um deles. Mas o comentador levou a “mensagem” para o campo económico e burocrático: “Os que seguem a série talvez tenham uma explicação. Mas, para mim, [a mensagem] tem a ver com a economia, a burocracia, o banco central e o aumento do dólar”, escreveu.

Ömer Turan vai mais longe e diz que mensagens subliminares estão presentes “do princípio ao fim” do trailer. Mas não é o único. Também Melih Gökçek, ex-prefeito de Ancara, assegura que o trailer está a incitar o assassinato de Ali Koç — um dos homens de negócios mais importantes da Turquia –, que surge destacado a subir as escadas rolantes.

A verdade é que com a nova lei da internet, aprovada no final de março, que permite a regulação do conteúdo online, este conteúdo pode ser eliminado. Se se chegar à conclusão de que “A Casa de Papel” está mesmo a enviar uma mensagem política, a Netflix pode ser forçada a eliminá-la na Turquia, ou arriscar-se a ser completamente bloqueada pelas autoridades — tal como aconteceu com a Wikipédia em 2017.

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