A Cambridge Analytica utilizou 87 milhões perfis de Facebook para condicionar o resultado de eleições nos Estados Unidos da América e Reino Unido e, desde aí, os legisladores querem mais medidas para evitar que o mesmo volte (ou continue) a acontecer. Ao The Guardian, é isso que Julian King, o comissário europeu para a segurança, também assume: “Queremos chegar rapidamente a um acordo com as principais plataformas a nível de novas normas”.

Facebook admite que Cambridge Analytica teve acesso indevido a 87 milhões de perfis

O político europeu explicou, ao mesmo meio, que as medidas atuais têm de ser melhoradas porque devem ser “mais esclarecedoras sobre o porquê de estar a ver o que vejo [quanto a publicidade]”. King critica as plataformas de redes sociais por “não fazerem o progresso necessário voluntariamente” e diz que, por estas empresas não mudarem por ser necessário, a Comissão está a “olhar para medidas de natureza legislativa”. Esta quinta-feira, a proposta de legislação poderá fazer parte de um parecer da Comissão Europeia quanto à questão da “desinformação online”.

Descubra como pode ser enganado por uma fake news

Apesar de peritos terem proposto em março à da Comissão Europeia que aplicasse uma política de “literacia de media” nas escolas, King afirmou que quer medidas mais rápidas que “aumentem a transparência, a identificação e a responsabilidade, mas sem ceder à censura”.

Ao mesmo meio, Monique Goyens, diretora-geral da associação europeia de defesa dos consumidores, criticou as atuais políticas europeias quanto a notícias falsas [fake news]. “A Comissão precisa de perceber que o modelo de negócios, com anúncios, das grandes plataformas online de redes sociais, é o que propaga a desinformação”, afirma Goyens. “A auto-regulação não vai funcionar para empresas como o Facebook”, diz ainda.