Caso José Sócrates

Miguel Sousa Tavares fala em linchamento público de Sócrates, mas também lhe pede explicações

935

O comentador disse que não gosta "de ver uma pessoa que já está caída a ser atacada por todos os lados", mas diz que Sócrates "devia começar por explicar porque decidiu viver à conta do amigo"

Andre Kosters/LUSA

Miguel Sousa Tavares considerou esta segunda-feira que as declarações de várias individualidades do Partido Socialista (PS) sobre José Sócrates são um “linchamento público” do ex-primeiro ministro. Durante o seu espaço de opinião no Jornal da Noite da SIC, o comentador sublinhou que não gosta “de ver uma pessoa que já está caída a ser atacada por todos os lados” e depois ser “abandonada e atacada pelo que resta. Mas não deixa de, depois de muito o defender, também lhe pedir contas.

Para Miguel Sousa Tavares, agora que entregou o cartão de militante do partido, José Sócrates “devia começar por explicar porque decidiu viver à conta do amigo”, mas reconhece que o simples facto de o ter feito “não é crime”, tal como já defendeu o antigo deputado socialista Arons de Carvalho.

Com este comportamento por parte do PS — de Ana Gomes, de Carlos César, de António Arnaut e sobretudo João Galamba — aquilo que aconteceu foi um linchamento popular de José Sócrates”

https://observador.pt/2018/05/03/joao-galamba-e-o-caso-socrates-obviamente-envergonha-qualquer-socialista/

Miguel Sousa Tavares defendeu ainda que, para o PS, o caso que envolve o ex-secretário-geral do partido “era muito difícil de gerir a partir do momento em que José Sócrates foi preso, com as suspeitas gravíssimas que pesavam sobre ele”. “António Costa começou por dizer aquilo que era básico: ‘à justiça o que é da justiça à política o que é da política’, mas devia ter começado por afirmar que o partido e o país exigiam que a justiça fosse rápida e pedir que o julgamento se fizesse no tribunal e não na rua, perante a opinião pública. Acabamos por assistir a um julgamento popular de José Sócrates, independentemente da culpabilidade ou não”.

O comentador pensa que o momento escolhido pelo PS para falar sobre José Sócrates se deve ao facto de “vir aí o congresso” e daqui a um ano haver eleições: “O PS quer limpar roupa suja antes de ir a eleições. É um momento de oportunismo eleitoral que corresponde a um de linchamento popular”.

Júdice. Sócrates “nunca foi apenas uma extremidade no PS

Um “abalo sísmico muito forte e, como sempre acontece, propício a sequelas ou réplicas”. É assim que José Miguel Júdice, na sua opinião publicada no jornal Eco intitulada “A gangrena política”, qualifica o “abandono de Sócrates pelo PS”, que na sua perspetiva “causou o abandono do PS por Sócrates”. O advogado e antigo Bastonário da Ordem dos Advogados defendeu que o PS devia ter reagido “pelo menos logo após a divulgação da acusação do Ministério Público ou deveria ter esperado ao menos pela pronúncia do Juiz de Instrução”.

Júdice acredita que a saída de Sócrates do partido tem “tudo para falhar”. E apresenta uma justificação: “Pois é inegável que ele nunca foi apenas uma extremidade no PS. O advogado acredita que “se falhar, apenas vai acentuar o processo de gangrena no corpo socialista”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)