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Congresso do PS

PS/Congresso: Costa quer continuidade estratégica e prioridade aos desafios estruturais

No plano interno, António Costa já fez saber que o PS mantém a aposta numa relação política prioritária com os parceiros parlamentares de esquerda, Bloco, PCP e PEV.

PAULO NOVAIS/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O 22.º Congresso do PS começa esta sexta-feira, na Batalha, distrito de Leiria, e durante o qual o secretário-geral, António Costa, deverá defender uma linha de continuidade estratégica, procurando, em simultâneo, projetar desafios estruturais que se colocam ao país.

A abertura formal dos trabalhos está prevista para as 19h30, com uma homenagem ao primeiro líder deste partido e antigo Presidente da República Mário Soares, seguindo-se a primeira das duas intervenções de fundo de António Costa perante o Congresso.

Este primeiro discurso do líder, habitualmente, destina-se a fazer uma análise política sobre a atividade do PS ao longo dos dois últimos anos, sendo o segundo, na sessão de encerramento de domingo, mais virado para as questões nacionais. No plano interno, António Costa já fez saber que o PS mantém a aposta numa relação política prioritária com os parceiros parlamentares de esquerda, Bloco, PCP e PEV.

Nas últimas semanas, António Costa e dirigentes como Pedro Nuno Santos e Augusto Santos Silva admitiram, inclusivamente, que, mesmo num cenário de maioria absoluta após as eleições legislativas de 2019, o PS deve continuar a procurar entendimentos de Governo à sua esquerda, embora com base num novo programa de objetivos comuns.

Ainda neste plano estritamente interno, também não são esperadas mudanças de fundo na orgânica partidária, sendo considerada certa a manutenção de Ana Catarina Mendes como secretária-geral adjunta. Entre outros momentos, a atual “número dois” do PS foi elogiada por António Costa na sequência das eleições autárquicas de outubro passado, nas quais os socialistas alcançaram o melhor resultado de sempre e conquistaram mais de metade das câmaras em disputa.

Por outro lado, mais do que qualquer problemática ao nível ideológico, o secretário-geral do PS pretende concentrar o seu partido em torno de quatro desafios que considera de caráter estrutural: demografia, sociedade digital, combate às desigualdades e às alterações climáticas.

António Costa leva a este Congresso uma moção de orientação política, intitulada “Geração 20/30”, que propõe medidas como o aumento sustentado dos vencimentos e do salário mínimo, a par de uma política de atração de imigrantes como forma de ultrapassar a crise demográfica, mas na qual nada se refere sobre temas de curto prazo, como a questão das metas eleitorais para as europeias e legislativas. O líder socialista optou por remeter a definição dos programas com que o PS se apresentará nas eleições europeias e legislativas para duas convenções nacionais que se realizarão em 2019.

Neste Congresso, os 1768 delegados socialistas terão como alternativa à orientação proposta pelo secretário-geral uma moção apresentada pelo dirigente Daniel Adrião, que também não contesta os entendimentos de Governo feitos à esquerda pelo PS. Porém, o dirigente do PS de Alcobaça reclama uma mudança profunda ao nível do funcionamento interno deste partido

Daniel Adrião, que elegeu 35 delegados ao Congresso e que obteve 4% dos votos nas eleições diretas para o cargo de secretário-geral, defende a extinção do cargo de secretária-geral adjunta e uma separação absoluta entre os lugares de primeiro-ministro e de liderança do partido.

Neste Congresso, além das eleições para os órgãos nacionais, por voto secreto, na manhã de domingo, os delegados terão ainda de votar dois projetos alternativos de revisão dos estatutos. A direção do PS abre a possibilidade de os simpatizantes passaram a participar na eleição direta do secretário-geral do partido e avança com um reforço da paridade (40%) ao nível dos cargos de todas as estruturas.

Daniel Adrião, por sua vez, pretende introduzir a obrigatoriedade de eleições primárias (abertas a todos os cidadãos) para a liderança do PS, mas, igualmente, para candidatos a deputados, eurodeputados, presidentes de câmara, primeiro-ministro, entre outros lugares de representação externa.

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