Espanha

Espanha. O Governo mais feminino de sempre está completo

438

Os nomes dos novos ministros espanhóis foram conhecidos oficialmente esta quarta-feira, 6 de junho. Mais de 60% são mulheres. Conheça os novos governantes.

Pedro Sánchez, o novo Presidente do Governo espanhol, pode só ter tomado posse no passado dia de 1 de junho — no seguimento de uma moção de censura, por ele apresentada, que destituiu Mariano Rajoy — mas já tem o seu Executivo pronto.

Sánchez apresentou esta quarta-feira, 6 de junho, a lista completa de todos os seus ministros ao Rei Felipe VI. O grande destaque vai para as mulheres, que compõem mais de 60% do Executivo, assim como os nomes de Josep Borell (figura histórica que já chegou a ser presidente do Parlamento Europeu) e de José Luis Ábalos, um dos homens onde Sánchez deposita maior confiança.

Segundo a descrição do El País, Carmen Calvo, que será a vice-presidente do Governo e a ministra da Igualdade, é doutorada em Direito Constitucional e será a representante de Estado quando Sánchez estiver ausente. Esta será a primeira vez que o cargo de vice-presidência é acoplado ao pelouro da Igualdade, sendo que Carmen também estará responsável pelas relações com o Parlamento. A andaluza que será o braço direito do novo presidente do Governo é também uma respeitada figura do PSOE.

O El Español descreve a escolha de Josep Borell para o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros como sendo “uma mensagem para a Europa, o independentismo catalão e a oposição”. Josep já foi presidente do parlamento Europeu e goza de um grande prestígio nesse meio, é um assumido defensor da Espanha unida e refuta o argumento do PP e do Ciudadanos de que Sánchez terá vendido a união do seu país para subir ao poder. Em governos passados — no de Felipe González, mais concretamente — Borell já deteve a pasta das Obras Públicas, Transportes e Ambiente.

Teresa Ribera vai ser a única ministra (até agora) encarregue de um super-ministério. Este pelouro combinará a pasta do Ambiente com a da Energia, afirma o El Español, e vai dedicar-se afincadamente à coexistência de fontes de energia mais tradicionais com as crescente aposta em opções renováveis. Ribera esteve sete anos na liderança da Oficina Española de Cambio Climático — de 2004 a 2011.

A galega Nadia Calviño vai ser o nome forte da Economia espanhola e, à semelhança de Borell, é uma figura respeitada no panorama europeu muito por culpa do cargo do seu cargo de diretora geral dos Orçamentos da Comissão Europeia. Advogada e Economista, Calviño foi uma das figuras mais respeitadas no meio da regulação financeira até 2007.

Ainda no mundo dos números, é de destacar a nova ministra das Finanças, María Jesús Montero. Apesar de ser formada em medicina e de se ter especializado em cirurgia, Montero sempre ocupou lugares de gestão no mundo hospitalar. Esta mulher que é tida como sendo a arqui-inimiga de Sánchez dentro do PSOE vai trabalhar com Calviño para resolver um dos maiores desafios deste Executivo, o novo modelo de financiamento regional (que está para ser atualizado há cinco anos).

O cargo de “ministro do Fomento” (estará mais associado à área das infraestruturas) será atribuído a José Luis Ábalos, uma das figuras em quem Pedro Sánchez mais confia. Ábalos foi o interlocutor entre o novo presidente e o Congresso durante o processo de construção da moção de censura que derrubou Rajoy.

Meritxell Batet é a catalã que ficará encarregue da administração territorial (ainda não se sabe o nome oficial do seu ministério). Um dos seus principais desafios será a interlocução com a “nova” Generalitat. A professora de Direito Administrativo e Constitucional é uma das figuras que mais esperança inspira no seio da opinião pública.

A pasta da Saúde deve será entregue a Carmen Montón, uma andaluza que já ocupava um pelouro semelhante na Generalitat de Valência (oficialmente era a responsável pela Saúde Pública e Universal). Como aguerrida defensora do serviço de saúde público, Montón foi responsável pelo recuo em vários acordos com hospitais privados. Chega ao Governo numa fase em que a sua popularidade junto da comunidade valenciana estava a cair.

Pedro Duque é outro dos nomes escolhidos e ficará responsável pelo ministério da Ciência. Este engenheiro aeronáutico madrileno foi escolhido pela Agência Espacial Europeia em 1992 para fazer parte da sua  primeira equipa de astronautas e chegou mesmo a ir ao espaço , em 1998.

O pelouro do Trabalho será entregue a Magdalena Valerio, a atual responsável pela Segurança Social da região de Castilla – La Mancha. Antes de assumir essa posição, Valerio foi conselheira do Governo dessa região espanhola em três áreas: Emprego, Turismo e Justiça.

A basca Isabel Cealá vai ser a nova responsável da Educação, área que já tinha dominado quando fez parte do Governo regional de Patxi López. Cealá também faz parte do círculo próximo de Pedro Sánchez e é a atual presidente da Comissão de Garantias do PSOE.

A Justiça será responsabilidade de Dolores Delgado, uma especialista em jihadismo e grande defensora da Justiça Universal e dos Direitos Humanos. Para a pasta da Defesa foi escolhida a magistrada Margarita Robles.

Já para a Agricultura irá Luis Planas Puchades, atual secretário-geral do Comité Económico e Social Europeu, órgão consultivo da União Europeia. Natural da comunidade autónoma da Andaluzia, onde foi conselheiro para o meio ambiente, tornou-se conhecido por se ter candidatado contra Susana Díaz (a grande rival de Pedro Sánchez na corrida para a liderança do PSOE) na eleição para a liderança regional dos socialistas. Diplomata, foi embaixador de Espanha em Marrocos e tem experiência em Bruxelas.

Sánchez escolheu para ministra da Indústria a deputada socialista pelo parlamento regional de Madrid Reyes Maroto, professora universitária e especialista em economia; para ministro do Interior foi noemado o magistrado Fernando Grande-Marlaska.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: dlopes@observador.pt
Nicolás Maduro

A Venezuela a ferro e fogo /premium

Diana Soller

Maduro tentará impor a sua vontade, agora que se sente verdadeiramente ameaçado. A oposição sentirá que não tem nada a perder. O que pode, efetivamente, degenerar numa guerra civil.

Relações Internacionais

A nova economia política /premium

Manuel Villaverde Cabral

A imprensa diz que o FMI foi ultrapassado pelos acontecimentos e já se identificaram os países que poderão vir a estar na linha de mira dos especuladores. A única defesa de Portugal é a União Europeia

Nicolás Maduro

A Venezuela a ferro e fogo /premium

Diana Soller

Maduro tentará impor a sua vontade, agora que se sente verdadeiramente ameaçado. A oposição sentirá que não tem nada a perder. O que pode, efetivamente, degenerar numa guerra civil.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)