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O que Bruno Fernandes, William e Gelson disseram à GNR

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Sem ataque a Alcochete, seria mais difícil os três internacionais sustentarem as suas cartas de rescisão. Veja na íntegra os depoimentos destes jogadores à GNR depois das agressões na Academia.

Se as cartas de rescisão de Bruno Fernandes, Gelson Martins e William Carvalho forem semelhantes à de Rui Patrício, muito dificilmente não usarão como fundamento principal o ataque à Academia de Alcochete. O Observador teve acesso aos depoimentos dos três internacionais à GNR, prestados horas depois da invasão violenta.

Gelson Martins: “Em estado de choque e de medo”

O até aqui camisola 77 do Sporting, de nome completo Gelson Dany Batalha Martins, depôs no Destacamento Territorial da GNR do Montijo às 00h20 de 16 de Maio. Assumiu-se como lesado, constituiu-se como assistente e quanto à matéria dos autos disse:

“Que é jogador do Sporting Futebol Clube, e que se encontrava na Academia do Clube na localidade de Alcochete.

Que pelas 17h00, encontrava-se no interior do ginásio situado no interior da referida academia, bem como os restantes jogadores e a equipa técnica, sendo que apenas o treinador Jorge Jesus se encontrava no campo de futebol.

Que após finalizar o seu treino no interior do referido ginásio, deslocou-se para o balneário juntamente com vários elementos da equipa, para se equiparem e irem para o campo de futebol.

Que no interior do balneário, encontrava-se sentado a conversar com o seu companheiro de equipa Acuña, e começou a ouvir gritos vindos do exterior por parte dos seguranças, nomeadamente a proferirem a expressão “Fecha”, presumindo que se estavam a referir à porta, em acto contínuo apercebeu-se que começaram a entrar vários indivíduos com o rosto coberto por máscaras, cachecóis e camisolas, impedindo assim que fossem reconhecidos.

Que não sofreu qualquer tipo de agressão por parte dos indivíduos, no entanto o seu companheiro de equipa Acuña que se encontrava ao seu lado foi interpelado pelos indivíduos com golpes na face com as palmas da mão abertas.

Que informa ter sido perceptível verificar um indivíduo com um cinto na mão direita, sendo que a parte da fivela encontrava-se em efeito de pêndulo para aquando de um movimento brusco a mesma efectuar um efeito de chicote.

Que no referido momento temeu pela sua própria vida, sendo que sentiu medo face à agressividade dos indivíduos.

Que presume que os indivíduos estavam direcionados para os atletas Acuña, Rui Patrício, William e o Bataglia, uma vez que eram os nomes que os indivíduos proferiram, bem como foram os jogadores aos quais os mesmos se dirigiram, no entanto o ora depoente informa que se apercebeu que em determinado momento os indivíduos perderam o controlo e agrediram vários jogadores.

Que não consegue dizer com exatidão o tempo que os indivíduos permaneceram no interior do balneário.

Que se apercebeu que durante a saída dos indivíduos para o exterior, foram lançadas duas tochas para o interior do balneário.

Que o ora depoente informa também que seria impossível sair do interior do balneário, uma vez que os indivíduos barraram a saída aos atletas, impedindo desse modo que os mesmos fossem para o exterior.

Que informa ainda o ora depoente que se encontrou em estado de choque e de medo, uma vez que nunca pensou que alguma vez poderia acontecer o que aconteceu.

Que deseja procedimento criminal contra os autores do ilícito

Que de momento não tem nada a acrescentar.”

Bruno Fernandes: “O seu colega William cercado por vários indivíduos, tendo de imediato sido agredido com chapadas”

Bruno Fernandes chegou a Alvalade esta época, vindo da Sampdoria, e impôs-se de tal forma que até Simeone, técnico do Atlético de Madrid, admitiu que, se pudesse, era o jogador que roubava ao adversário nos quartos de final da Liga Europa. No dia do ataque a Alcochete, foi divulgado um vídeo onde se ouve o médio da Selecção desabafar: “Foi um prazer estar com todos vocês, [impercetível] mas é embora”. E terá dito logo à família para fazer as malas e regressar ao norte do país. Este foi o seu depoimento na GNR:

“O ora depoente refere que no presente dia encontrava-se na Academia do Sporting em Alcochete, no balneário da equipa principal de futebol.

Refere que em certa altura ouviu os seus companheiros de equipa a dizer que adeptos teriam invadido a Academia de Futebol e que estava a deslocar-se para o balneário.

Em seguida, viu o Sr.Vasco Fernandes (secretário técnico da equipa de futebol) e o Sr. Ricardo (segurança pessoal da equipa de futebol), a tentar fechar a porta de acesso ao balneário, devido ao facto de os suspeitos tentarem invadir o balneário.

Não tendo conseguido tal, os suspeitos entraram no balneário, tendo de imediato arremessado uma tocha de fumo, tendo os suspeitos se dirigido a alguns jogadores em específico.

Disse que no momento da invasão encontrava-se junto do seu colega de equipa William Carvalho, tendo nesse instante sido empurrado para o lado e o seu colega William cercado por vários indivíduos, tendo de imediato sido agredido com chapadas.

Seguidamente pode visualizar os seus colegas de equipa Battaglia, Acunâ e Rui Patrício a serem também cercados e agredidos por vários indivíduos.

No momento em que os suspeitos estavam a abandonar o balneário, arremessaram uma bolsa contendo produtos de cosmética, tendo acertado na face do Sr. Ludovico (fisioterapeuta da equipa de futebol).

O ora depoente refere que os indivíduos que invadiram o local trajavam de cor escura com capuz e cachecóis da equipa do Sporting.

Devido à indumentária utilizada pelos indivíduos, bem como devido ao fumo no interior do balneário, o mesmo não consegue identificar nenhum dos indivíduos que agrediu os seus colegas.

Verificou que os suspeitos atuaram de forma organizada, sabendo quais os jogadores a quem se teriam de dirigir.

Refere que de toda a situação, e apesar de não ter sido agredido, temeu pela sua integridade física, pois pode verificar que os indivíduos que ali se deslocaram o poderiam agredir a qualquer momento.

Refere que os mesmos impediram a sua saída, bem como dos seus colegas do interior do balneário.

Declara desejar procedimento criminal contra todos os suspeitos.”

William Carvalho: “Gerou um enorme pânico, tendo ele particularmente temido pela sua própria vida”

O capitão do Sporting foi o primeiro dos três a depor, ao início da noite de 15 de Maio, entre as 21h20 e as 22h10. Não relatou à GNR as chapadas que o seu colega Bruno Fernandes viu, mas ouviu os agressores dizerem-lhe: “Tira essa camisola. Não és digno de vestir essa camisola!” Este foi o seu depoimento integral:

“A testemunha declara que no dia 15 de Maio de 2018, pelas 15h50, chegou à academia do Sporting Clube de Portugal a fim de realizar o seu treino diário, visto ser atleta naquela equipa.

Declarou que todos os atletas se equiparam, deslocando-se posteriormente para o ginásio, onde realizaram alongamentos, sendo que de seguida voltaram à zona dos balneários, a fim de trocar de equipamento, para iniciar o treino em campo.

A testemunha declara que, quando toda a equipa se encontrava a trocar de equipamento, ouviu alguém dizer que um número elevado de adeptos se deslocava naquela direção, sendo que em ato contínuo verificou que cerca de 40 pessoas entraram de forma brusca no balneário, os quais maioritariamente trajavam com roupa de cor preta e com a cabeça coberta por passa montanhas de cor preta, e golas verdes e brancas de forma a ocultarem a imagem, evitando assim virem posteriormente a serem identificados.

Declarou ainda que aquando da entrada dos adeptos no balneário foram lançadas pelos mesmos várias tochas de fumo, o que reduziu bastante a visibilidade dentro do balneário, bem como ouviu vários gritos, não conseguindo a testemunha descrever as frases proferidas pelos autores do ilícito, à excepção de uma que reteve na sua memória, e passa a citar: “Tira essa camisola. Não és digno de vestir essa camisola!”

A testemunha desconhece se algum dos seus colegas foi atingido pelas tochas lançadas, mas pelo elevado número de tochas a probabilidade de alguém ser atingido pelas mesmas é bastante elevada.

A testemunha declara que não reconheceu qualquer individuo, bem como não os consegue identificar, por terem a cara coberta.

Indagada a testemunha, a mesma afirma não ter observado as agressões que os seus colegas sofreram, em virtude de se ter causado uma grande confusão no interior do balneário.

Declara a testemunha que a situação durou breves minutos, pois os autores do ilícito, após as agressões, voltaram a sair em massa do balneário, desconhecendo para onde se deslocaram.

Porém, ressalva que o balneário onde a equipa se encontrava é uma divisão fechada, tendo só uma única entrada e saída, tendo a mesma sido bloqueada pelo grupo de indivíduos, impossibilitando assim a saída ou fuga dos atletas, situação esta que em conjugação com as agressões das quais a equipa foi vítima gerou um enorme pânico, tendo ele particularmente temido pela sua própria vida.

A testemunha afirma que teve conhecimento pelo seu colega de nome Rui Patrício que já existiram situações passadas de ameaças de adeptos aos jogadores da equipa.

A testemunha declara desejar procedimento criminal contra os autores do ilícito, caso os mesmos voltem a ser identificados.”

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