Crise dos Refugiados

Primeiros migrantes do navio Aquarius chegaram ao porto de Valência

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O navio da organização não-governamental SOS Mediterranée transportava os primeiros 274 migrantes a chegar ao porto de Valência, que está preparado para receber 630 migrantes.

KENNY KARPOV / HANDOUT/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Os primeiros migrantes socorridos pelo navio Aquarius, da organização não-governamental SOS Mediterranée, começaram a chegar este domingo ao porto de Valência, em Espanha, revelaram as agências internacionais.

Segundo a agência France Presse, os primeiros migrantes do Aquarius chegaram ao porto de Valência pelas 5h33 (hora portuguesa), ao passo que a agência EFE descrevia, à mesma hora, que a silhueta branca do Dattilo, o barco de patrulha da guarda costeira italiana em que viajaram 274 migrantes estava já alinhada na entrada do porto espanhol, onde deverá atracar às 7h00, depois de oito dias de travessia.

Este domingo, chegam ao porto de Valência de forma repartida os 630 migrantes que viajam a bordo de três barcos: 274 no Dattilo, 106 no Aquarius (que será o segundo a chegar) e 250 no navio da armada italiana Orione, o último que está previsto entrar no porto espanhol.

A “tragédia humanitária” que Espanha quis evitar (e a que França também respondeu)

A chegada do navio a Valência deve-se a uma oferta do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, que disse ser necessário “evitar uma tragédia humanitária”.

O Governo de Itália recusou no passado dia 10 de junho autorizar o Aquarius a desembarcar num porto italiano os 629 migrantes, resgatados do mar em várias operações durante o dia anterior. A Itália defendeu que devia ser Malta a acolher os migrantes, que incluem 123 menores, mas as autoridades maltesas sustentaram que a responsabilidade era de Itália porque as operações de salvamento dos migrantes ocorreram numa zona marítima coordenada por Roma.

Face ao impasse, a Espanha ofereceu-se, no dia 11, para acolher os migrantes, tendo o Aquarius efetuado a viagem em direção a Valência escoltado por duas embarcações da Marinha italiana, com as quais repartiu os migrantes que se encontravam a bordo.

As relações diplomáticas franco-italianas foram postas à prova depois do Presidente francês, Emmanuel Macron, ter criticado o “cinismo e irresponsabilidade” do Governo de Itália por recusar receber o Aquarius. Para Macron, o governo italiano agiu segundo “uma forma de cinismo e uma parte de irresponsabilidade”, porque “o Direito Marítimo” determina que, “em caso de socorro, é a costa mais próxima que assume a responsabilidade do acolhimento”.

Em resposta, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, líder da Liga (extrema-direita) exigiu desculpas de França, tendo sido evocada uma eventual anulação da visita que o primeiro-ministro de Itália, Giuseppe Conte, tinha marcada para sexta-feira passada à capital francesa. Contudo, a presidência francesa disse não ter recebido qualquer informação do Governo italiano sobre um pedido de desculpas ou possível anulação da visita de Giuseppe Conte.

A visita de Conte a Paris realizou-se mesmo, tendo o chefe do Governo italiano e o Presidente francês defendido uma “reforma profunda” da relação com os países de origem dos migrantes, através nomeadamente da instalação de centros europeus nesses países que facilitem a regulação do fluxo de chegadas.

Já este sábado, o Governo espanhol anunciou que França irá também acolher migrantes do Aquarius, depois de uma análise à sua situação em Espanha. “O Governo francês colaborará com o Governo espanhol no acolhimento dos migrantes do Aquarius”, apontou a vice-presidente do executivo espanhol, Carmen Calvo, num comunicado.

A receção dos 629 migrantes está a ser preparada por mais de duas mil pessoas. Só do dispositivo coordenado pela Cruz Vermelha, ao longo de todo o fim de semana, farão parte dmai de um milhar de pessoas, tanto profissionais como voluntários, trabalhando em turnos de 10 a 12 horas.. Segundo um porta-voz da Cruz Vermelha, entre estas 1.000 pessoas está um grupo de 70 a 100 elementos com formação e preparação para lidar com emergências semelhantes.

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