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Exército

Comandos poderão voltar à missão da ONU na República Centro Africana

O chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, disse que os Comandos poderão voltar a integrar a missão da ONU na República Centro Africana, no 5.º contingente, em 2019.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, disse esta sexta-feira que os Comandos poderão voltar a integrar a missão da ONU na República Centro Africana (RCA), no 5.º contingente, em 2019.

O general elogiou o desempenho dos comandos nas Forças Nacionais Destacadas (FND), classificando-os como “heróis” e disse que poderão voltar ao teatro de operações na RCA como 5.ª FND, o que seria a partir de fevereiro ou março do próximo ano, caso se confirme uma decisão política no sentido de continuar a missão no próximo ano.

A 3.ª FND é composta por 159 militares, 156 do Exército, sendo 126 paraquedistas, que vão terminar a missão em setembro e serão nessa altura rendidos também por paraquedistas. As Forças Nacionais Destacadas para o próximo ano serão decididas em Conselho Superior de Defesa Nacional, presidido pelo Presidente da República, no final do ano.

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Rovisco Duarte discursava na cerimónia comemorativa dos 56 anos do Regimento de Comandos, na Carregueira, Sintra, durante a qual foram entregues as boinas e os crachás aos instruendos que concluíram o 130.º curso de Comando com aproveitamento.

Um ano depois do furto de armas nos paióis nacionais de Tancos, já desativados, o general Rovisco Duarte recusou responder a perguntas sobre o sucedido e sobre o processo judicial em curso. “A situação de Tancos não a queria desenvolver aqui. Hoje é o dia dos Comandos, estamos aqui para louvar estes heróis”, disse.

O 130.º curso de Comandos registou uma taxa de aproveitamento de 40%, com 39 militares a terminar a formação (dois oficiais, quatro sargentos e 33 praças), de um total de 98. A taxa de eliminação por razões médicas foi inferior a 3%, adiantou o comandante do Regimento, coronel Pipa de Amorim, no seu discurso na cerimónia.

A maior taxa de aproveitamento e o número reduzido de eliminações por razões médicas foram “indiscutivelmente fruto das medidas” tomadas pela chefia do Exército na sequência da morte de dois recrutas no 127.º curso, em setembro de 2016.

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Os referenciais de curso foram alterados, sublinhou Rovisco Duarte, destacando em especial as mudanças ao nível do acompanhamento médico durante o curso: “há uma intervenção preventiva. Por vezes [os recrutas] não apresentam indícios de desidratação, mas as análises revelam que está desidratado”.

Nesses casos, são retirados da formação e só regressam depois de novas análises confirmarem que recuperaram os níveis de hidratação adequados, sublinhou. Entre as medidas para a “mitigação de riscos”, adiantou o coronel Pipa de Amorim, está também a abertura de uma nova unidade de saúde no quartel da Carregueira, “com capacidades acrescidas ao nível do suporte avançado de vida”.

O comandante do regimento advertiu no entanto que “apesar desse aumento”, o batalhão de comandos mantém uma “progressiva e substancial redução dos seus efetivos”, devido às saídas que anualmente ocorrem por razões estatutárias” [contratos no máximo de 6 anos] e um “elevado número de rescisões ou não renovação”.

Saídas e rescisões que, disse, são “sintomáticas da baixa atratividade sentida pelos militares para permanecerem nas fileiras” e que, “no muito curto prazo se tornarão incompatíveis da manutenção de um produto operacional credível”.

“Face à imperiosa e improtelável necessidade de manutenção destes parcos efetivos urge assumir medidas de caráter legislativo que possam efetivamente promover a captação dos nossos melhores jovens e assegurar a sua necessária retenção, pois as que vigoram não se afiguram apelativas tornando pouco atrativa uma vida ao serviço do Exército”, disse Pipa de Amorim.

Questionado sobre estes alertas, o general Rovisco Duarte rejeitou que “os comandos acabem”, mas admitiu que “há um problema de atratividade” que “é geral” a todas as tropas especiais. Rovisco Duarte considerou que os seis anos de contrato “é muito pouco” para jovens que procuram “a segurança”, para além de uma residência (quartel) próximo de casa e sobretudo vencimento”.

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