Na primeira visita oficial de Donald Trump ao Reino Unido, o presidente dos Estados Unidos disse que vai apoiar o Reino Unido face ao Brexit, independentemente da política que o governo escolher prosseguir. Na conferência de imprensa desta sexta-feira, Trump reiterou a “relação especial” entre os EUA e o Reino Unido, dois países que nunca “poderão deixar de estar unidos”.

“Não sei o que é que o Reino Unido vai fazer quando o Brexit estiver concluído, mas o que quer que façam está ok comigo, desde que se certifiquem que conseguem negociar connosco”, disse diante de vários jornalistas, ao lado da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May.

Donald Trump garantiu, em resposta a uma questão colocada por uma jornalista da BBC, que nunca criticou Theresa May, referindo-se à entrevista que deu ao jornal The Sun como “fake news”, alegando que a mesma não continha os comentários positivos que fez sobre a primeira-ministra britânica. Na entrevista em questão, Trump disse: “Se [os britânicos] fizerem um acordo [como o que está em cima da mesa], nós vamos negociar com a União Europeia, em vez de negociarmos com o Reino Unido, pelo que provavelmente isso vai matar o acordo”.

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No decorrer da conferência de imprensa, Trump deixou rasgados elogios a May: de uma “negociadora dura” a uma “mulher muito inteligente, dura e eficiente”, que prefere ter como amiga do que como inimiga.

Os dois líderes reiteraram que os interesses que unem os países passam pela cooperação militar e por “parar a proliferação nuclear”, bem como parar o terrorismo e o seu financiamento. Trump referiu-se ainda ao recente encontro da NATO como uma “cimeira muito produtiva”, afirmando que os países saíram da cimeira “mais unidos e mais ricos do que antes”.

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O ponto sobre o qual Trump e May não parecem estar de acordo é a imigração: enquanto Theresa May diz que o seu país tem um passado “orgulhoso” no que a aceitar imigrantes diz respeito, Donald Trump afirmou que esta era uma coisa “negativa” para Europa, relacionando a imigração com o terrorismo.

O encontro com o presidente russo, marcado para a próxima segunda-feira, também foi tópico de conversa. Trump garantiu que vai falar sobre a Ucrânia com Vladimir Putin, sobre o Médio Oriente e sobre a proliferação nuclear. A alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas, que em 2016 deram a vitória a Donald Trump, não será esquecida. Trump assegurou que não tem “expetativas muito altas” face ao encontro com Putin, mas admitiu que “coisas surpreendentes” podem acontecer.

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A primeira visita oficial de Donald Trump ao Reino Unido, enquanto presidente dos EUA, está a ser marcada por intensos protestos, que até incluem um balão de seis metros em forma de “bebé Trump”, uma máscara de “gorila Trump” e uma faixa gigante da Amnistia Internacional. A visita de Donald Trump começou esta quinta-feira, depois de ter participado na Cimeira da NATO em Bruxelas.

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