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Com uma altura de 200 metros, à beirinha de Miami Beach, na Flórida, emergiu nos últimos anos uma torre de 60 andares, residencial, que foi criada por um promotor que já trabalhou para Donald Trump, antes se o magnata do imobiliário se tornar presidente dos EUA. O arranha-céus é a primeira investida da marca alemã de automóveis de luxo, a Porsche, no setor imobiliário e tem uma particularidade: no centro da estrutura há um sistema de elevadores que permitem estacionar o(s) carro(s) na sala de estar. Se tiver 32 milhões de dólares à mão, a penthouse ainda está à venda, diz o El País, e talvez ainda consiga poupar qualquer coisa porque o preço é negociável.

O promotor, Gil Dezer, conta que concebeu o cilindro preto (que passou a ser o arranha-céus mais alto que existe no horizonte) a pensar nos “doidos por carros”. Pessoas que não abdicam de ter os carros desportivos bem perto, a todo o momento. É bem conhecida a história de Jerry Seinfeld, um comediante multimilionário, fanático pela marca alemã, que paga renda num andar em Manhattan só para ter os carros lá estacionados. Mas não se sabe se Seinfeld está entre as “celebridades, executivos de topo e cantores que estão sempre a passar na rádio” que têm um andar na Porsche Design Tower.

A torre começou a ser construída na altura da crise financeira de 2008 e Gil Dezer, que tem apenas 43 anos, conta que começou a perder cabelo por constatar que, como ele via as coisas, o capitalismo estava a ruir à sua volta e Dezer estava a construir quatro torres para Donald Trump e esta torre em Miami para Porsche. “É um edifício feito a pensar nos doidos por carros”, conta Dezer, a respeito do projeto que custou 400 milhões de dólares.

Cerca de 10% desse valor total foi gasto com o principal equipamento que distingue este prédio: os elevadores que estão no centro e que permitem que cada morador suba até ao seu andar sem sair do carro. Trinta engenheiros trabalharam na conceção deste sistema de elevação, nos EUA e na Alemanha, que precisou de uma licença especial por parte dos bombeiros de Miami, que nunca tinham visto tal sistema. Esses testes obrigaram à construção de uma pequena réplica do edifício para que os bombeiros conseguissem perceber como é que funcionava.

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Mas Dezer garante que este não foi um projeto isolado, para excêntricos. Esta inovação funciona de uma forma que, segundo o seu criador, “vai marcar a forma como os carros se vão estacionar nos arranha-céus do futuro”. Ao condutor basta entrar numa plataforma, desligar o motor, colocar uns tampões de ouvidos se for necessário, e a subida é bem rápida, descreve o El País. 

“É fixe, não é?”, pergunta Dezer, notando que quiser “pode viver como um ermita, dentro do carro”.