A guerra comercial que os EUA declararam à China – e não só – começa a ter uma resposta à altura dos visados, e outra coisa não seria de esperar. É certo que os americanos impõem impostos menores aos produtos que chegam ao seu país e era expectável evoluir para uma situação de maior equilíbrio, mas as guerras fazem sempre vítimas colaterais. E a esta, que ainda agora começou, exemplos não faltam.

A BMW montou nos EUA a sua maior fábrica, que é simultaneamente a maior exportadora americana. Foi pensada sobretudo para produzir os SUV do fabricante alemão, ou seja, os X5, X6 e o futuro X7, para a partir da Carolina do Sul alimentar o mercado americano, mas também exportar para América do Sul, Europa e China. Como exporta cerca de 70% da sua produção, a fábrica não vai sobreviver caso os mercados de exportação desapareçam. E o chinês já lá vai.

Se a China já ‘castigava’ os carros vindos da América (tal como os provenientes da Europa ou de qualquer outro local), a resposta à guerra comercial de Trump fez as autoridades locais apontarem armas à soja, aos lavagantes e… aos automóveis. Estes passaram a pagar 40% à entrada no país, mais cerca de 25% do que anteriormente.

Para a BMW e os seus X5 e X6, a situação é desesperante, tanto mais que só em 2017 exportou mais de 100.000 unidades para a China, o que representa 20% da produção das instalações americanas. Mas, por outro lado, a pressão no segmento dos carros de luxo na China é enorme, com muita procura, mas cada vez maior oferta, pelo que não pode fazer incidir os novos impostos à importação no preço final de venda, uma vez que isso liquidaria os veículos oriundos dos EUA face aos que têm como origem a Europa, que se até pagavam 25%, agora têm apenas que suportar 15%.

A BMW fez as suas contas e anunciou que os X5 e X6 vão apenas aumentar um máximo de 7%, com o construtor a suportar o resto dos 40%, o que desde logo vai consumir as margens de lucro com que trabalhavam até aqui. E a redução dos ganhos proporcionados por 20% dos modelos fabricados nos EUA não só compromete o futuro da fábrica, como vai apressar a deslocação para a fábrica que a BMW já tem na China, em parceria com os locais da Brilliance, para aí produzir os SUV alemães.