Ensinar as crianças a mexer com armas para executar ataques em escolas. Terá sido este, segundo documentos citados pela Reuters que foram apresentados em tribunal esta quarta-feira, o objetivo de Siraj Wahhaj, um dos cinco homens suspeitos de terem mantido em cativeiro 11 crianças num complexo rural no Novo México.

Nos documentos do tribunal, os procuradores, citados pela CNN, referem que se os suspeitos “forem libertados sob custódia, há probabilidade de que cometam vários crimes devido ao planeamento e preparação para futuros tiroteios em escolas“.

Na passada sexta-feira, oito agentes da polícia do condado de Taos chegaram a uma local “imundo”, “rodeado de pneus” e com uma caravana que servia de “casa”. Investigavam o desaparecimento de uma criança de três anos no estado da Geórgia, mas acabaram por encontrar 11 crianças, entre 1 e 15 anos, sem água ou comida, com roupas velhas e sem higiene pessoal.

“Pareciam refugiados de um país do terceiro mundo”, disse o xerife da polícia local, Jerry Hogrefe, num comunicado depois publicado no Facebook. “Estavam muito magras, as suas costelas estavam à mostra, não tinham qualquer higiene e estavam muito assustadas”, completou o xerife ao ABC News.

EUA. Polícia resgata 11 crianças mantidas em cativeiro em caravana “imunda”

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As autoridades encontraram no local várias armas de fogo, incluindo uma arma semiautomática, e acreditam que terá sido montado um campo de tiro. Segundo Tyler Anderson, um mecânico de automóveis que mora nas proximidades e contactou com os suspeitos, o grupo terá chegada a Amalia em dezembro e trazia dinheiro suficiente para comprar mantimentos e outros materiais.

Quanto a Abdul-Ghani Wahhaj, o rapaz de três anos que está desaparecido e que era procurado quando foram encontradas estas 11 crianças, ainda não há certezas sobre o que lhe terá acontecido. No local onde foi descoberto este cativeiro, foram encontrados os restos mortais de uma criança, mas não existe confirmação sobre se pertence a Abdul, que tinha graves problemas médicos e terá sido sequestrado na Geórgia há nove meses por Siraj Wahhaj, o seu pai.

Os restantes suspeitos, Lucas Morton, Jany Leveille, Hujrah Wahhaj e Subhannah Wahhaj foram também presos por abuso infantil. As três mulheres que faziam parte do grupo de suspeitos serão as mães das crianças encontradas e foram levadas sob custódia pelas autoridades, mas entretanto já foram colocadas em liberdade, continuando a ser investigadas.