Peter Strozk — o agente do FBI que criticou o presidente Trump em mensagens de texto inflamadas e que participou nas investigações ao email de Hillary Clinton e nas investigações sobre a interferência russa — foi despedido por violar os regulamentos da polícia federal norte-americana.

De acordo com o New York Times, foi o advogado de Peter Strzok que anunciou o despedimento do cliente esta segunda-feira. Recorde-se que Trump e os seus apoiantes aproveitaram as mensagens de texto — trocadas durante a campanha de 2016 com uma antiga advogada do FBI, Lisa Page — para definir a investigação sobre a Rússia como uma “caça às bruxas” ilegítima. De acordo com o New York Times, Strzok, com mais de 20 anos de FBI, é um dos agentes de contra-inteligência mais experientes e terá sido uma figura-chave nos primeiros meses da investigação.

Além das mensagens de texto, Strzok foi acusado de enviar um mandado de busca altamente confidencial para a sua conta de email pessoal. Em junho, a conduta do agente já tinha sido escrutinada num amplo relatório do inspetor-geral sobre a forma como o FBI lidou com a investigação aos emails de Hillary Clinton no período que antecedeu as eleições presidenciais norte-americanas de 2016. Em julho, teve de depor perante a Câmara dos Representantes sobre as mensagens de texto.

O seu advogado, Aitan Goelman, afirmou que o subdiretor do FBI, David Bowdich, anulou a decisão do Office of Professional Responsibility (organismo responsável pela disciplina interna do FBI) que tinha decidido que Strozk teria uma suspensão de 60 dias. Ora, Bowdich terá passado por cima dessa decisão e Strozk acabou demitido.

“A decisão de demitir o agente especial Strzok não é apenas um afastamento da prática habitual do FBI, mas também contradiz o testemunho do diretor Wray ao Congresso e as garantias de que o FBI pretendia seguir a sua prática habitual neste e em todos os seus casos relacionados com o pessoal ”, afirmou Goelman, referindo-se a Cristopher Wray. Goelman disse ainda que “esta decisão é profundamente preocupante para todos os americanos“, uma vez que “uma longa investigação e várias rondas de depoimentos no Congresso não conseguiram produzir um mínimo de provas de que as opiniões pessoais do agente especial Strzok afetaram o seu trabalho.”

As mensagens de texto em causa demonstram animosidade relativamente a Trump. Numa delas, Page pergunta:

– Trump “nunca vai se tornar presidente, certo? Certo ?!

Ao que Strzok respondeu:

Não. Não, ele não vai. Vamos impedir isso. ”

O inspetor-geral (Michael E. Horowitz) não encontrou provas de que a dupla colocasse as suas opiniões políticas à frente dos interesses da investigação, mas citou esta troca de mensagens como sendo “não apenas indicativo de um estado mental tendencioso, mas, mais do que isso, sugere uma disposição para tomar medidas para influenciar o desempenho eleitoral de um candidato presidencial“.

No mesmo relatório, o inspetor-geral critica a conduta de Strozok por ter enviado aqueles SMS, por ter utilizado contas de email pessoais para lidar com informações confidenciais, bem como a decisão de não ter agido com rapidez suficiente para investigar novos emails relacionados com a investigação de Clinton poucas semanas antes das eleições de 2016.