Mark David Chapman, o homem que em dezembro de 1980 matou John Lennon em Nova Iorque, viu ser-lhe negada a liberdade condicional pela décima vez. Um painel composto por três pessoas recusou o mais recente pedido de liberdade condicional do norte-americano de 63 anos.

“O painel determinou que a libertação seria incompatível com o bem-estar e a segurança da sociedade”, podia ler-se na decisão do painel, muito similar àquela apresentada em 2016, data do mais recente pedido de condicional de Chapman, e quase igual à de 2014, quando o assassino de John Lennon também tentou sair em liberdade.

Mark David Chapman foi preso em 1980, quando tinha 25 anos, depois de matar John Lennon à porta do complexo de apartamento The Dakota, onde o britânico vivia com Yoko Ono, com quatro tiros – que atingiram o músico nas costas e no ombro. No ano seguinte, Chapman declarou-se culpado do crime de homicídio em segundo grau e foi condenado a uma pena de prisão que tem como mínimo os 20 anos e pode ir até à prisão perpétua. O norte-americano vai permanecer preso pelo menos até 2020, ano em que pode novamente pedir liberdade condicional.

Chapman planeou cuidadosamente o assassinato de John Lennon durante três meses. De acordo com vários testemunhos de amigos e familiares, o norte-americano era um grande fã dos Beatles e idolatrava Lennon, mas virou-se contra o músico depois deste proferir uma polémica frase em 1966: “Os Beatles são mais populares do que Jesus”. Mark David Chapman, cristão e muito ativo na comunidade a que pertencia, considerou a afirmação de Lennon uma blasfémia. Ao ler o livro “John Lennon: One Day at a Time”, de Anthony Fawcett, que detalhava o dia-a-dia do músico em Nova Iorque, Chapman revoltou-se ainda mais contra o antigo ídolo por não perceber como é que John Lennon falava sobre paz e amor e levava uma vida luxuosa. A gota de água chegou nas semanas antes do crime, quando Chapman ouviu o álbum “John Lennon/Plastic Ono Band”, onde o inglês deixava claro que era ateu e não acreditava nos Beatles.

Um fotógrafo captou o momento em que Chapman pediu um autógrafo a John Lennon horas antes de o matar

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Inspirado pelo filme “Ordinary People” e decidido a matar Lennon, Mark David Chapman ainda tentou que alguém que não ele o impedisse. Contou os planos à mulher, mostrou-lhe a armas e as balas – mas esta não alertou a polícia e, em vez disso, marcou uma consulta com um psicólogo clínico. Chapman nunca foi e a ação da mulher foi insuficiente.

No dia 8 de dezembro de 1980, dois meses depois de John Lennon ter completado 40 anos, Mark David Chapman deixou o quarto que tinha alugado no hotel Sheraton, em Nova Iorque, e comprou o livro “Uma Agulha no Palheiro”. Esperou várias horas à porta do edifício onde Lennon vivia com Yoko Ono, falou com fãs e com o porteiro e chegou a conseguir cumprimentar Sean Lennon, o filho do casal, que saiu de casa acompanhado pela ama. Por volta das cinco da tarde, Lennon e Ono saíram do edifício rumo ao Record Plant Studios para uma sessão de gravação. À saída, foram abordados por Chapman, que pediu um autógrafo a John Lennon e ainda o cumprimentou – pedido a que o músico acedeu.

Pouco antes das onze da noite, Lennon e a mulher regressaram a casa. Saíram da limusine e passaram por Mark David Chapman, que permanecia à porta do edifício. Nesta altura, o norte-americano disparou cinco tiros em direção a John Lennon – quatro deles encontraram o alvo. Chapman permaneceu no local do crime e estava a ler “Uma Agulha no Palheiro” quando a polícia chegou. Foi detido sem resistência e John Lennon foi declarado morto apenas 17 minutos depois dos disparos.