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Vinho

Investigadores testam robô em Vila Flor para medir parâmetros da vinha

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Investigadores e produtores de vinho estão a testar no concelho de Vila Flor um robô capaz de fazer medições de parâmetros chave da vinha e dar dados aos vitivinicultores sobre a produção.

FRANCISCO PINTO/LUSA

Investigadores e produtores de vinho estão a testar no concelho de Vila Flor um robô capaz de fazer medições de parâmetros chave da vinha e dar aos vitivinicultores informações sobre a produção de vinho através do projeto “VineScout”.

O lugar escolhido para os testes foi a Quinta do Ataíde, distrito de Bragança, propriedade da família Symington, onde por estes dias se juntam especialistas europeus em robótica e vitivinicultura portugueses, mas também oriundos de países como Espanha, França, Reino Unido.

“Trata-se de uma máquina que, de uma forma muito simples, pretende monitorizar parâmetros chave sobre o comportamento da vinha, como o estado hídrico da videira e os índices de vegetação. A partir destes dois parâmetros, permite-nos recolher informação para construção de vinhos de potencial diferenciado”, explicou à Lusa o responsável da Symington para Investigação e Desenvolvimento na Viticultura, Fernando Alves. O especialista avançou que o “VineScout” é capaz de fazer medições de parâmetros chave da vinha que apoiem a viticultura, incluindo o controlo do estado hídrico da videira (o que permite uma correta gestão da disponibilização de água), a temperatura da folha da videira e o vigor da planta.

Segundo avançaram os especialistas, o robô está numa fase “intermédia” de desenvolvimento, para um projeto que tem uma duração prevista de três anos e que poderá ser dilatado conforme as necessidades das pastes envolvidas no projeto que é financiado pela União Europeia. “Este projeto visa dispor de uma máquina autónoma e com capacidade de mobilidade, e ao mesmo tempo reconhecer os obstáculos e o final de cada bardo (estaca para segurar videiras) e executar as manobras necessárias ao longo de todo a vinha”, especificou.

Na prática, como a Lusa observou no local, trata-se de tecnologia de ponta, que está a ser testada em terrenos com orografia difícil e de diferente vegetação das vinhas, como são as da Região Demarcada do Douro. “No Douro o terreno é difícil e as nossas vinhas têm uma vegetação mais aberta em relação a outros pontos da Europa. Assim, o robô tem de reconhecer quanto está numa zona de folhas ou no final de uma vinha”, explicou Fernando Alves.

Para os produtores durienses, como os da empresa Symington, as técnicas atuais de recolha de dados das vinhas têm várias limitações, como serem muito caras, exigirem colaboradores com formação específica, consumirem muito tempo, “As quintas, normalmente, têm extensas áreas para serem monitorizadas e, muitas vezes, fornecem uma imagem incompleta já que as taxas de amostragem são forçosamente baixas”, especificam.

O coordenador do projeto e especialista em robótica e engenharia agrícola, Francisco Rovira-Más, disse que o grande objetivo é o desenvolvimento de um robô acessível, fiável e fácil de operar, que se pretende que seja produzido em série a médio prazo. “Quando o projeto terminar queremos deixar um protótipo que seja comercializável para que uma empresa o possa produzir e comercializar”, enfatizou.

Para os promotores, o robô “VineScout” é capaz de se destacar pela capacidade de monitorizar a vinha de forma autónoma e com recurso a propulsão elétrica e energia solar, para garantir melhorias na vitivinicultura no Douro e em outras regiões da Europa, tendo em conta as práticas sustentáveis necessárias para garantir o futuro do setor. Com este robô, os viticultores e produtores podem assim ter acesso a informações abrangentes e confiáveis durante os ciclos de crescimento e maturação, em tempo real, de modo a poderem realizar ao máximo o potencial qualitativo do fruto.

No projeto “VineScout” além da empresa Symington, estão incluídos a Universidade Politécnica de Valência e a Universidade de La Rioja (Espanha), a Wall-YE Robots & Software (França), e a Sundance Multiprocessor Technologies (Reino Unido). O projeto “VineScout” foi iniciado em dezembro de 2016 sendo financiado em cerca de dois milhões de euros pelo Horizonte 2020, um Programa-Quadro Comunitário de Investigação e Inovação da Comissão Europeia.

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