Cerca de três mil adolescentes com menos de 18 anos abandonaram a escola em 2017 por estarem grávidas, estima o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique, que defende uma maior sensibilização da sociedade para o fenómeno.

“No ano de 2017, tivemos três mil casos a nível nacional, o que, comparado com o ano anterior, representa uma ligeira subida”, disse o diretor-nacional de Assuntos Transversais do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique, citado esta quarta-feira pelo diário O País.

Ivaldo Quincardete falou do panorama da chamada gravidez precoce na educação em Moçambique, durante a apresentação de um estudo sobre o fenómeno. Quincardete defendeu uma maior mobilização da sociedade moçambicana contra os malefícios da gravidez em raparigas com menos de 18 anos, assinalando que essa situação compromete o futuro das adolescentes.

O aumento do número de professoras nas escolas pode ajudar a reduzir o índice de raparigas que são obrigadas a abandonar os estudos devido a gravidez, declarou. “Faremos uma avaliação para comparar a presença de uma professora com o número de alunas presentes na escola”, disse o diretor-nacional de Assuntos Transversais do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique.

Percília da Gouveia, da Visão Mundial, uma ONG religiosa, defendeu a redefinição dos conteúdos ensinados nos ritos de iniciação em que participam as raparigas como uma das formas de reverter o cenário de casamentos prematuros e gravidez precoce em Moçambique. “Nós valorizamos a cultura e percebemos que ela faz parte dos moçambicanos e, como Visão Mundial, não queremos, de alguma forma, impedir que as comunidades pratiquem a sua cultura”, afirmou Gouveia.

Vários estudos associam os ritos de iniciação aos casamentos prematuros e gravidez precoce, assinalando que tais costumes incentivam a rapariga a casar cedo, uma vez que assentam em ensinamentos sobre o comportamento na vida conjugal.