Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Carlos Alberto, Pedro Mendes, Deco e Derlei. Foi este o onze com que o FC Porto entrou em campo naquele que é o jogo mais memorável dos dragões, desde a conquista da Taças dos Clubes Campeões Europeus, em 1986/87. Naquela noite de 2004, na Arena Auf Schalke, em Gelsenkirchen, o FC Porto pintava uma dourada página de história e conquistava a maior prova europeia de clubes pela segunda vez. No banco, estava José Mourinho; na bancada, um lesionado Sérgio Conceição.

Ficha de jogo

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Schalke 04-FC Porto, 1-1

1.ª jornada do grupo D da Liga dos Campeões

Estádio Veltins-Arena, em Gelsenkirchen

Árbitro:  Jesús Gil Manzano (Espanha)

Schalke 04: Farhmann; Sané, Naldo, Nastasic; Caligiuri, McKennie, Serdar (Harit, 84′), Bentaleb, Schopf; Embolo (Burgstaller, 71′) e Uth (Konoplyanka, 65′)

Suplentes não utilizados: Nubel, Mendyl, Di Santo e Rudy

Treinador: Domenico Tedesco

FC Porto: Casillas; Maxi, Felipe, Militão, Alex Telles; Danilo, Otávio (Hernâni, 90′), Herrera, Brahimi (Sérgio Oliveira, 82′); Aboubakar (Corona, 60′) e Marega

Suplentes não utilizados: Vaná, Chidozie, Óliver e Adrián

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Embolo (64′) e Otávio (g.p., 75′)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Embolo (28′), Uth (53′), Corona (78′) e Herrera (86′)

“Mesmo que estivesse em condições, sinceramente acho que não teria lugar naquela equipa”, brincou o atual técnico azul e branco, na conferência de imprensa de antevisão ao duelo que marcava a estreia do FC Porto na atual edição da Liga dos Campeões, frente ao Schalke 04. Desde a vitória por 3-0 sobre o Mónaco que carimbou o segundo título europeu dos dragões até aos dias de hoje, Sérgio Conceição mudou-se dos relvados para os bancos, o percurso europeu do FC Porto não mais atingiu patamares tão elevados e até o nome do recinto que acolheu os festejos portistas mudou de nome: Veltins-Arena.

E era neste recinto renovado que os dragões queriam iniciar uma nova história de sucesso depois de verem Gelsenkirchen como uma espécie de cidade talismã. Não fosse uma grande exibição de um então jovem chamado Manuel Neuer nas redes do Schalke, em 2008, que brilhou no desempate por grandes penalidades e deixou o FC Porto fora dos quartos-de-final da Liga dos Campeões desse ano, e a casa do Schalke quase poderia funcionar como estádio favorito da formação portuguesa, apesar de nunca ter vencido os alemães fora.

Para trazer novas recordações positivas de Gelsenkirchen, Sérgio Conceição sabia que precisava de contornar as alterações táticas do técnico italiano Domenico Tedesco (variações habituais entre 3-5-2, 3-4-3 e 4-2-3-1) e anular o “impacto físico de médios e avançados”, bem como a “muita largura imposta pelos laterais” da formação alemã. Para tal, o técnico azul e branco dizia conhecer as fragilidades do Schalke, mas ignorava um dado desconhecido antes do início da partida: Fahrmann estava disposto a imitar Neuer e a brilhar nas grandes penalidades.

Foi num 3-5-2 que o Schalke 04 entrou em campo: com Sané, Naldo e Nastasic a formarem o trio defensivo, Serdar, Benteleb e McKennie na zona central do meio-campo, Caligliuri aberto na direita, Schopf solto na esquerda e Embolo e Uth na frente de ataque.

Mas, quem esperava uma formação alemã agressiva nos primeiros minutos, mais não fosse porque precisava de limpar a má imagem deixada até agora na Bundesliga (três derrotas em três jogos), enganou-se, com o Schalke a entrar um pouco na expetativa e a dividir o domínio do encontro com os dragões, numa árdua disputa a meio-campo.

E, quando nada o fazia prever, do céu caiu uma grande oportunidade para o FC Porto, com o experiente central brasileiro Naldo a cortar a bola com a mão no interior da área e a oferecer a Alex Telles um brinde. Mas Fahrmann não estava para ofertas e transformou o brinde em fava: o lateral dos dragões bateu rasteiro para o lado esquerdo do guardião, que se esticou e defendeu para canto a grande penalidade batida pelo brasileiro.

Era a primeira grande chance de golo para o FC Porto, num jogo com zero remates até então, que poderia ter inaugurado o marcador e funcionado como importante catalisador para a equipa portuguesa, não fosse a grande estirada de Fahrmann, que virava Neuer e prometia assombrar a exibição azul e branca, como o gigante alemão havia feito, dez anos antes. 

Avisados por Sérgio Conceição, os jogadores do FC Porto iam conseguindo contrariar a profundidade da formação alemã nos flancos, fechando bem os corredores e obrigando o Schalke a afunilar o seu jogo, mas nem por isso conseguiam criar perigo no lado oposto do campo.

Com meia hora jogada, eram poucos os remates enquadrados e menor ainda o número de lances de perigo, com a grande penalidade desperdiçada pelos dragões a ser o único acontecimento digno de registo, numa altura em que o FC Porto pouco ou nada se conseguia aproximar da baliza adversária.

Os quinze minutos finais foram uma inversão dos iniciais, com o Schalke a ter mais bola e a empurrar os portugueses para o seu meio-campo, mas era mais o esforço do que o talento e só de pontapé de canto, com os gigantes Naldo e Sané nas alturas, os alemães conseguiam aproximar-se da baliza de Casillas. Ao intervalo, zero golos, muita luta, pouco futebol e uma oportunidade de golo, desperdiçada por Alex Telles aos 13 minutos.

E, se a melhor oportunidade da primeira parte foi de grande penalidade, o perigo inicial no segundo tempo surgiu de uma bola parada estudada pelos dragões, que culminou com uma carambola de Felipe que quase foi parar ao fundo da baliza alemã, mas Fahrmann, com alguma sorte à mistura, conseguiu desviar o esférico e o perigo passou.

Era o aviso dado por um FC Porto que entrava mais ofensivo, dono e senhor do esférico e mais confiante com a posse de bola. Não é que estivesse perto de marcar, mas ficava, pelo menos, mais longe de sofrer, já que o adversário não conseguia rematar desde meio do primeiro tempo.

Mas, no futebol, os únicos números que realmente importam são aqueles que figuram no marcador. E, aí, o Schalke foi frio, muito frio: aos 64′, quando o FC Porto mais carregava os alemães, o conjunto de Domenico Tedesco saiu em transição rápida, utilizou a largura do campo e McKennie serviu Embolo, que, na cara de Casillas, desviou o esférico do espanhol e abriu o marcador.

Os dragões não baixaram os braços e foram em busca do empate, que chegaria cerca de dez minutos mais tarde, na segunda grande penalidade do encontro: Marega ganhou a bola aos centrais alemães e acabou deitado no relvado, num lance onde o árbitro espanhol assinalou falta de Sané. Na conversão do penálti, Otávio substituiu Alex Telles e não vacilou, enganando Fahrmann e igualando o encontro a uma bola.

Até final, ambas as formações foram lutando pela vitória, com Sérgio Oliveira a colocar Fahrmann à prova e Konoplyanka a dar o mesmo tratamento a Casillas, mas foram os guardiões quem levou a melhor nos duelos e o empate manteve-se até aos 90′.

O FC Porto volta a sair da Veltins-Arena sem vencer, algo que nunca conseguiu fazer contra o Schalke 04 fora de portas. Se há oito anos foi Neuer quem brilhou nas grandes penalidades, desta feita foi outro alemão, Fahrmann, a defender o tiro de Alex Telles e a impedir que os dragões escrevessem nova página de história em Gelsenkirchen.