[Notícia atualizada às 8h12 de 25 de setembro de 2018]

Esta segunda-feira, a demissão do procurador-geral adjunto norte-americano, Rod Rosenstein, passou de ser um facto consumado para ser um grande ponto de interrogação. Durante o dia, sugiram várias notícias que davam conta de uma deslocação de Rod Rosenstein para a Casa Branca, onde deveria receber um pedido de demissão. No entanto, o sol pôs-se e o cargo manteve-se, para já, nas suas mãos.

A notícia surgiu à medida que a tensão em torno de Rod Rosenstein subia, depois de o The New York Times ter noticiado no sábado que o procurador-geral adjunto tinha sugerido que fossem colocadas escutas a Donald Trump e que o Presidente norte-americano fosse deposto através da 25ª emenda da Constituição. Esta emenda permite ao executivo norte-americano depor o Presidente, desde que o vice-Presidente e uma maioria do executivo, ou também do Congresso, subscreva a incapacidade do líder do Governo.

A sugestão de gravar Donald Trump terá sido feita em maio de 2017 a outros membros do Departamento de Justiça e agentes do FBI, na mesma altura em que o Presidente despediu James B. Comey do cargo de diretor do FBI. O jornal alega que, depois de ter sido noticiado que Trump tinha revelado segredos de Estado ao embaixador e ministro dos negócios russos, Rosenstein sentiu-se “usado” pelo facto de o Presidente norte-americano ter citado algumas notas elaboradas por si sobre os motivos para a não continuação de Comey no FBI.

Em reação a esta notícia, Rod Rosenstein negou todas as alegações — mas, de acordo com o The New York Times, em privado o procurador-geral adjunto já preparava a sua demissão.

Não era só ele que o fazia. Na Casa Branca, já estavam até a ser redigidos os comunicados de imprensa a publicar assim que Rod Rosenstein fosse demitido. Porém, quando a sua comitiva saiu da Casa Branca e regressou ao Departamento de Justiça, o procurador-geral adjunto ainda era o mesmo.

Quinta-feira, Rosenstein e Trump encontram-se para definir futuro

Porém, esta história pode ter ainda novos desenvolvimentos. Quando Rod Rosenstein visitou a Casa Branca, Donald Trump, que será a única pessoa com capacidades para demitir o procurador-geral adjunto, estava em Nova Iorque para a 73ª Assembleia-Geral das Nações Unidas. Só na quinta-feira é que o Presidente dos EUA vai estar de regresso a Washington D.C. e, pelo que adiantou a porta-voz da Casa Branca, já tem agendada uma reunião com Rod Rosenstein.

“Após pedido do procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein, este teve uma longa conversa com o Presidente Trump para discutir as últimas notícias”, escreveu Sarah Sanders num comunicado disponibilizado no Twitter. “Uma vez que o Presidente está na Assembleia-Geral das Nações Unidas e tem um horário preenchido por líderes de todo o mundo, eles terão uma reunião na quinta-feira, quando o Presidente regressar a Washington D.C..”

É possível, pois, que a demissão de Rod Rosenstein venha a acontecer ainda esta semana. E, nessa eventualidade, já há quem prepare os próximos passos. Num programa de rádio, um dos advogados de Donald Trump, Jay Sekulow, defendeu que uma demissão por parte de Rod Rosenstein devia levar a uma “suspensão temporária” da investigação em torno do alegado conluio entre a campanha republicana e a Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

“Se Rod Rosenstein se demitir hoje (…) acho que se torna obviamente necessário e adequado (…) dar um passo atrás e fazer uma revisão minuciosa e completa (…) e basicamente suspender temporariamente esta investigação”, disse o advogado Jay Sekulow. Pouco depois, o principal advogado e defensor na praça pública de Donald Trump, Rudy Giuliani, demonstrou concordar com aquela exigência.

Recorde-se que Rod Rosenstein é, enquanto procurador-geral adjunto, o principal supervisor da investigação ao alegado conluio entre a equipa de Donald Trump e o Kremlin. A estafeta foi-lhe passada pelo procurador-geral, Jeff Sessions, que pediu excusa daquela investigação depois de ter sido noticiado que, durante a campanha, na qual fez parte da equipa de Donald Trump, teve conversas com o então embaixador russo nos EUA, Sergey Kislyak.

Agora, se Rod Rosenstein for afastado, a supervisão da investigação pode passar para as mãos do número três da justiça norte-americana: o procurador Noel J. Francisco. No entanto, esta hipotética passagem não está a ser bem recolhida, uma vez que a sua antiga firma de advogados, a Jones Day, representa Donald Trump nalguns casos. Em 2017, a Bloomberg chegou a descrever aquela firma como a “preferida” de Donald Trump.