Os socialistas estão a avaliar a possibilidade de aumentar os funcionários públicos em 2019. O líder parlamentar do PS, Carlos César disse esta quinta-feira aos jornalistas que “é possível” e o partido está “a trabalhar para ver se há também aumento da remuneração base [dos funcionários públicos] pelo menos até a um determinado nível salarial.

Em declarações aos jornalistas, à saída de uma reunião do grupo parlamentar, o líder da bancada e presidente do PS disse que essa análise que está a ser feita é relativa ao próximo ano, embora não esclareça completamente a quem se destina. Carlos César refere-se apenas à possibilidade de aumentos “até um determinado nível salarial”. O socialista só admite que esse aumento seja dirigido a 2019 e que venha somar-se ao aumento que será sentido no próximo anos, nos salários da administração pública, por via do descongelamento das carreiras.

Esta é uma das reivindicações dos parceiros da esquerda e nunca foi admitida por completo, mas também nunca foi totalmente descartada pelos socialistas que, desde o início do ano, têm contornado a questão. Agora, à porta do Orçamento do Estado para 2019 (que é entregue até 15 de outubro), os socialistas abrem a porta à hipótese que a direita tem sempre classificado de “eleitoralista”. A última vez que houve um aumento geral na função pública foi em 2009, era José Sócrates primeiro-ministro, também num ano com eleições legislativas.

De recordar que os comunistas têm retirado esta questão do âmbito das negociações do Orçamento por entenderem que essa negociação deve ser feita com os sindicatos da função pública. “Na discussão do Orçamento não se discutem aumentos salariais”, disse recentemente Jerónimo de Sousa numa entrevista. “Não assumimos um papel que cabe aos sindicatos”, acrescentou.

Depois da reunião da bancada socialista, Carlos César anunciou ainda que o grupo vai votar contra as iniciativas legislativa do CDS sobre demografia e natalidade, afirmando que estes assuntos estão em análise num grupo de trabalho que já está a funcionar no Parlamento. E “estranha” que “um partido que, enquanto esteve no Governo, teve menos 19 mil nascimentos em Portugal e fez com que mais de meio milhão de pessoas tivessem de abandonar o país agora procure de forma atabalhoada atirar para a Assembleia da República um conjunto de medidas como se daí resultasse a alteração do figurino que PSD e CDS cultivaram ao longo de quatro anos de Governo”.

Já sobre as propostas do Bloco de Esquerda que visam uma aproximação dos salários dos gestores das remunerações dos trabalhadores, César também anuncia que o PS votará contra. “Estas são questões que o PS faz transitar no âmbito da concertação social antes de tomar decisão definitiva”, explicou Carlos César que remete para a resolução (que funciona como uma recomendação) que o PS levará a votos, também na sexta-feira, sobre esta matéria.