A região norte predomina nas cirurgias realizadas à coluna nos hospitais públicos com 46%. Segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo com 37% dos procedimentos e o Centro, com 15% das cirurgias. Por outro lado, o Alentejo e o Algarve registam apenas 2% das operações. Dados foram revelados esta terça-feira, dia em que se celebra o Dia Mundial da Coluna.

Um estudo promovido pela Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV), pela Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia e pela Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, que analisou as cirurgias realizadas à coluna entre 2011 e 2016, conclui que há várias diferenças regionais que levam os médicos a suspeitar de que os doentes de determinadas zonas têm muito mais dificuldades em aceder aos tratamentos.

“São evidentes as assimetrias regionais, que podem em parte ser explicadas com as dificuldades da medicina geral e familiar em referenciar as patologias da coluna”, disse à agência Lusa Manuel Tavares de Matos, presidente da SPPCV.

Este estudo revela também que há certos tratamentos que não são realizados à população de certas regiões e outros que são feitos em muito menor quantidade. Um dos exemplos disso passa-se em Vila Real, em que os tratamentos descompressão entre as estruturas nervosas da coluna chegam aos 44 por cem mil habitantes, mas noutros cinco distritos do Interior o número desce para menos de dez. A mesma situação verifica-se noutro tipo de operações, como discectomias, artrodeses, artroplastias, fixações dinâmicas, vertebroplastias e cifoplastias.

O Coordenador da Secção de Coluna da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, Nelson Carvalho, justifica à TSF esta diferenciação “pela proximidade geográfica aos centros, já que as cirurgias à coluna podem representar procedimentos invasivos e com período de internamento prolongados, o que pode afastar os doentes que residem mais longe dos centros tratamento”.

O estudo compreendeu uma amostra de 42.750 doentes e destaca que os problemas da coluna são uma das principais razões que a população apresenta para faltar ao trabalho, pelo que é fundamental responder de forma correta e referenciar bem os doentes.