Se os europeus têm agora o método WLTP para homologar a autonomia dos veículos eléctricos (além dos consumos e emissões dos modelos com motor de combustão), os americanos recorrem há muito ao sistema EPA, ainda mais exigente e próximo da realidade, em condições reais de utilização. A Jaguar requereu a homologação do seu eléctrico i-Pace e divulgou agora os resultados estimados para a sua bateria com 90 kWh de capacidade: 234 milhas (376,5 km). E todos esperavam mais, especialmente o construtor.

É certo que os dados da EPA ainda não são oficiais, mas ao serem publicados pela própria marca inglesa recebem obviamente um selo de qualidade. Sucede que existem vários modelos no mercado que conseguem ir mais longe, em termos de autonomia, apesar de terem baterias com capacidade inferior. É o caso do Chevrolet Bolt, que com apenas 60 kWh percorre 238 milhas (382,9 km) com uma carga de bateria, ou do Model 3 da Tesla, que na versão Long Range monta uma bateria de 75 kWh, a quem a EPA homologou 310 milhas (498,8 km) de autonomia.

Mas o maior problema para o i-Pace provém do facto do seu maior rival, o Tesla Model X, ter homologado 237 milhas (381,3 km) com a bateria de 75 kWh, 257 milhas (413,5 km) com a bateria de 90 kWh e 289 milhas (465 km) com o acumulador de 100 kWh. Isto pressupõe um consumo de 23,9 kWh/100 km para o Jaguar, um valor que revela uma eficiência muito inferior aos conseguidos pelo Model X, que apesar de ser maior e mais pesado do que o i-Pace, necessita apenas de 19,7 kWh de energia para percorrer 100 km, com o Model X 90D a reivindicar 21,7 kWh/100 km e o Model X 100D 22 kWh/100 km.

Para se ter uma ideia do maior grau de exigência do sistema EPA americano, basta ver que, na Europa e sob a égide do WLTP, o mesmo i-Pace anuncia uma autonomia de 470 km, ou seja, mais 93,5 km do que do outro lado do Atlântico. Isto implica que no Velho Continente, o Jaguar tenha um consumo de 19,2 kWh por 100 km, em vez dos 23,9 kWh/100 km nos EUA, uma diferença mais do que substancial.