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Por uma noite, o tempo voltou para trás e trouxe o que se perdeu (a crónica do Sporting-Boavista)

Este artigo tem mais de 3 anos

Nani voltou a marcar a um adversário especial, Bruno Fernandes voltou a assumir protagonismo, Bas Dost voltou à competição. Sporting voltou a jogar bem e ganhou, de forma natural, ao Boavista (3-0).

Nani abriu e fechou o marcador, que teve ainda um golo de Bruno Fernandes na vitória do Sporting frente ao Boavista
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Nani abriu e fechou o marcador, que teve ainda um golo de Bruno Fernandes na vitória do Sporting frente ao Boavista

AFP/Getty Images

Nani abriu e fechou o marcador, que teve ainda um golo de Bruno Fernandes na vitória do Sporting frente ao Boavista

AFP/Getty Images

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Como é habitual, antes do início do jogo (esta noite até foi durante, mais tempo do que é normal), voltou a ouvir-se no estádio José Alvalade “O Mundo sabe que”. É uma marca, uma identidade, uma referência que ainda no último encontro fez com que os adeptos do Arsenal brindassem os homólogos leoninos com uma salva de palmas. No entanto, se existe uma música com sentido nesta altura quando se olha para o momento do Sporting, essa é outra – “Oh tempo, volta para trás”. Em particular com uma parte em especial da letra que já tinha significado antes da partida e a que Nani deu ainda mais sentido.

As horas para mim são dias,
As horas para mim são dias,
Os dias para mim são anos.
Recordação é saudade,
Recordação é saudade,
Saudades são desenganos.

Oh tempo, volta para trás,
Trás-me tudo o que eu perdi.
Tem pena e dá-me a vida,
A vida que eu já vivi.
Oh tempo, volta para trás.
Mata as minhas esperanças vâs (…)

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Ficha de jogo

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Sporting-Boavista, 3-0

8.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco)

Sporting: Renan; Bruno Gaspar, Coates, Mathieu, Acuña (Bas Dost, 79′); Battaglia, Gudelj, Bruno Fernandes; Nani, Diaby (Bruno César, 87′) e Montero (André Pinto, 79′)

Suplentes não utilizados: Salin, Petrovic, Carlos Mané e Jovane Cabral

Treinador: José Peseiro

Boavista: Helton; Edu Machado, Neris, Gonçalo Cardoso, Talocha; Idris (Rafael Costa, 43′), David Simão, Fábio Espinho (André Claro, 74′); Rafa, Rochinha e Mateus (Matheus Índio, 59′)

Suplentes não utilizados: Bracali, Raphael, Obiora e Ibra Koneh

Treinador: Jorge Simão

Golos: Nani (31′ e 66′) e Bruno Fernandes (64′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Acuña (47′), Rochinha (55′), David Simão (65′), Montero (65′) e Gonçalo Cardoso (69′)

Há um antes e um depois de 15 de maio de 2018 na história do Sporting, aquela dia em que a Academia do clube sofreu uma invasão e alguns jogadores e técnicos foram agredidos. Seguiu-se a derrota na Taça de Portugal, as rescisões (ainda que algumas invertidas), a primeira destituição de sempre de um presidente, a escolha do plantel possível por uma Comissão de Gestão, um arranque de temporada prometedor mesmo sem grandes exibições que se foi diluindo com o passar dos jogos. Nas últimas semanas, entre a derrota em Portimão, o triunfo insípido com o Loures e o desaire frente ao Arsenal, a única coisa que havia era lamentos: das bancadas, pelos jogos fracos; dos jogadores, pelas exibições aquém; do treinador, pelo contexto muito particular em que agarrou no barco e tem tentado enfrentar um caminho onde à mínima onda pode haver naufrágio.

Esta noite, tudo foi diferente. E o tempo voltou mesmo para trás. Em alguns meses, em alguns anos. O Sporting que recebeu e venceu o Boavista por 3-0 foi durante um dia aquela equipa que é uma crónica candidata ao título, aquela equipa que surge como natural favorito em quase todos os encontros do Campeonato, aquela equipa que, com mais ou menos golos, assume o fator casa e soma vitórias inequívocas. A dúvida, claro, é se essa música foi apenas ouvida durante 90 minutos ou está para ficar.

Por 90 minutos, o tempo voltou para trás logo na constituição oficial da equipa. Mesmo mantendo Acuña como lateral esquerdo (as alternativas são Jefferson e Lumor), o regresso de Mathieu ao centro da defesa trouxe outra solidez a todo o setor e à própria equipa. Não que André Pinto tenha falhado muito mas o conjunto leonino ganha saída de bola, experiência no posicionamento e até um novo recurso nas bolas paradas (o central francês chegou a ir marcar cantos na segunda parte), assim como a colocação de Diaby na direita do ataque ofereceu outras características que a equipa verde e branca perde serm Raphinha. Se Jorge Simão, antes do início da partida, escondeu a forma de jogar da equipa do Boavista em Alvalade para tentar explorar o fator surpresa, a verdade é que acabou surpreendido face ao perigo criado pelo seu lado esquerdo da defesa.

Por 90 minutos, o tempo voltou para trás na forma como o Sporting entrou em campo. Logo no terceiro minuto, Battaglia testou a atenção de Helton com um remate de fora da área e, pouco depois, foi Bruno Gaspar a atirar para a bancada numa insistência na área. Mateus, com um tiro em arco que levou a bola ao poste na sequência de um canto, teve a melhor oportunidade do Boavista ao longo de todo o encontro mas nem isso colocou travão no futebol dinâmico, criativo e móvel dos leões.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos em vídeo do Sporting-Boavista]

Por 90 minutos, o tempo voltou para trás pela veia goleadora de Nani, que recuperou aquele primeiro golo como sénior do Sporting no Bessa em 2005, quando passou por dois adversários em velocidade no corredor central, encarou a baliza e rematou rasteiro ao ângulo. Antes do jogo, o capitão verde e branco já tinha deixado uma mensagem como que premonitória (“Ainda me lembro deste golo contra o Boavista como se fosse ontem, o meu primeiro por este grande clube. Espero poder ajudar a equipa a conquistar mais uma vitória, amanhã! Força Sporting!”) e cumpriu mesmo essa promessa, desta feita com um cabeceamento na área após uma fantástica jogada de Montero na esquerda, conseguindo virar e cruzar de forma perfeita.

Por 90 minutos, o tempo voltou para trás pela capacidade no remate de meia distância de Bruno Fernandes. Aos 58′, o internacional português acertou na trave num livre direto; seis minutos depois, no seguimento de uma boa combinação na direita entre Montero no apoio frontal e Diaby, o maliano cruzou atrasado e o médio rematou forte sem hipóteses para Helton para o segundo golo. Um golo merecido num encontro onde o número 8 voltou à sua posição habitual, recuperou a influência nas manobras da equipa e subiu em alguns degraus o nível que vinha a apresentar nos dois últimos meses.

Por 90 minutos, o tempo voltou para trás porque Nani voltou a bisar, aproveitando uma bola sem dono à entrada da área para fazer um remate que bateu ainda no relvado antes de ganhar altura e enganar Helton. O extremo que no ano passado marcara apenas três golos na Lazio chega ao final de outubro com o dobro (melhor marcador da equipa, a par de Bruno Fernandes) e fez o segundo bis da temporada depois de ter dado a vitória na receção ao V. Setúbal foi o melhor em campo e deu o exemplo a todos os companheiros, numa exibição que foi a melhor a nível de dinâmica ofensiva pelos corredores laterais.

Por 90 minutos, o tempo voltou para trás porque Bas Dost, que não jogava desde agosto, voltou à competição e mostrou, mesmo sem ter conseguido marcar, que o tipo de jogo que a equipa mais gosta carece de um avançado com as suas características. Daí que, golos à parte, a maior ovação da noite tenha sido para o holandês, melhor marcador da equipa nas duas últimas temporadas (mais tarde entrou também Bruno César, que não pisava os relvados há alguns meses de forma oficial).

Tudo isto aconteceu durante 90 minutos. Agora, a dúvida que fica é se existe capacidade no Sporting para continuar a fazer o tempo voltar para trás. É nessa regularidade que assentam as esperanças leoninas para a presente temporada porque, uma jornada depois, a equipa colocou-se apenas a dois pontos dos líderes FC Porto e Sp. Braga. Em relação ao Boavista, o tempo não voltou atrás mas isso será algo importante de acontecer – sete pontos em oito jogos deixam a equipa numa posição perigosa e até inesperada face à qualidade apresentada pelo conjunto axadrezado em algumas partidas no arranque da época.

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