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Aqua Village: uma aldeia dentro da aldeia. Cinco estrelas

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Nasceu no interior profundo para proporcionar natureza e descanso. Foi aberto por um professor de educação visual e acaba de ser considerado o melhor resort de luxo para famílias da Europa.

Autor
  • Ana Dias Ferreira

De vez em quando Francisco Cruz vai dar aulas de stand up paddle no rio. Não se identifica e ninguém imagina que aquele homem de 56 anos e calções de banho é o administrador do hotel. Dessa forma, diz, está mais perto dos hóspedes. Também diz, meio a brincar, que o Aqua Village é a face visível da sua loucura: “Perguntam-me qual é o grande grupo por trás disto, mas não há grande grupo. Isto é meu.”

Ao todo foram gastos 6,5 milhões de euros (cerca de metade comparticipados pelo QREN, o Quadro de Referência Estratégico Nacional que gere fundos europeus de desenvolvimento regional) para construir “o primeiro resort de cinco estrelas da região centro do país”, uma espécie de aldeia dentro da aldeia, neste caso Caldas de São Paulo, a meia dúzia de quilómetros de Oliveira do Hospital, 15 da Serra da Estrela. O nome da povoação vem de uma nascente que fica agora na propriedade de quatro hectares do hotel e que ditou todo o conceito, vocacionado para o bem-estar e inaugurado há dois anos, em setembro de 2016: “a água nasce quente e chega à superfície a 28 graus”, explica Francisco enquanto mostra o poço que abastece uma das piscinas do spa e os tratamentos termais. É uma água com uma alta concentração de enxofre, tida como boa para a pele e para os ossos.

Curiosamente, cabem mais pessoas no hotel do que na aldeia, neste momento com cerca de 65 habitantes. Mas quem chega ao vale, na margem esquerda do rio Alva, tem a mesma sensação de espaço e de sossego, com casas de dois andares de linhas arquitetónicas modernas inseridas no espaço graças ao tons quentes e a materiais como a madeira e a cortiça. Em vez de quartos, a unidade funciona com apartamentos equipados com sala e kitchenette: 20 T1, nove T2 e uma suíte presidencial com três andares e 220 metros quadrados, construída a partir da reabilitação da única casa existente no terreno e onde se mantiveram duas lareiras em pedra. Os apartamentos premium têm vista para o rio, com direito a praia fluvial privativa — a tal onde acontecem as aulas de stand up paddle mas também canoagem, e onde é possível descansar num alpendre com redes suspensas — e banheira de hidromassagem na varanda.

Os apartamentos “premium” têm banheira de hidromassagem na varanda. © Divulgação

É também na zona à beira-rio, conhecida como choupal, que fica um dos ex-líbris da unidade: duas estruturas que parecem enormes gotas suspensas no meio das árvores, com cinco metros de altura e três de diâmetro. Por fora são brancas e revestidas a fibra de vidro, por dentro forradas a cortiça, com uma janela estrategicamente virada para o rio. É aí que acontece a Dolce Aqua (135€), uma massagem relaxante de 90 minutos feita com mel da região e que começa com uma esfoliação.

O acesso às gotas é feito a partir do spa, cuja carta foi alterada recentemente para incluir técnicas osteopáticas e também massagens para crianças e adolescentes, que têm direito ao seu próprio roupão em miniatura. Cada vez mais procurado por pais com filhos, o hotel acaba de ser reconhecido como o melhor Resort para Famílias da Europa nos Haute Grandeur Global Excellence Awards, onde arrecadou outros 11 galardões.

Num hotel que se apresenta como Health Resort não podia faltar uma oferta à medida, e ao todo o spa tem dois andares, duas piscinas — uma termal hidrodinâmica com uns janelões virados para os choupos e uma semi-coberta aquecida — e sete gabinetes, das salas de massagem mais tradicionais às que estão equipadas para os tratamentos termais como o anticelulítico, feito num colchão de água, ou o duche vichy a quatro mãos. Se na piscina termal é possível fazer todo um circuito de jatos e usufruir também do banho turco e da sauna, junto à piscina exterior vale a pena experimentar o chuveiro construído a sete metros do chão, para recriar a chuva.

Uma das estruturas em forma de gota onde acontece a massagem com mel da região. © Divulgação

Para além da carta do spa, também a do bar e a do restaurante acabam de ser renovadas. No caso do primeiro, o hotel aposta agora num menu de petiscos mais completo, do requeijão da serra com doce de abóbora à tábua de queijos e de enchidos da região, passando pelos hambúrgueres que passaram a incluir uma oferta vegetariana. No caso do restaurante, e uma vez que se trata de cozinha de autor feita a partir de produtos locais, a carta muda a cada três meses para responder à estação e há três menus de degustação disponíveis, com três, cinco ou oito pratos (40€, 85€ e 135€ com harmonização de vinhos da região do Dão, respetivamente). Exemplo de um menu outonal: creme de cogumelos shiitake, bacalhau com puré de aipo, couve lombarda, tomate confitado e presunto desidratado e ainda trilogia de chocolate com frutos vermelhos e sorvete de tangerina.

Uns bons anos antes de aprender a fazer stand up paddle, Francisco Cruz começou a pensar no mundo da hotelaria como um plano para a aposentação. Foi antes da alteração ao estatuto da carreira docente, quando a reforma era dada aos 55 anos e com 35 de carreira. Natural de Santo António do Alva, uma aldeia vizinha, é professor há 37 anos e dá aulas de Educação Visual e de Educação Tecnológica em Oliveira do Hospital. O turismo era para ser um hobbie e arrancou com uma pequena quinta de quatro apartamentos, um negócio de família. “Entretanto surgiu a oportunidade de comprar esta propriedade e eu sabia bem o potencial que ela tinha”, diz. Não só não se reformou como mais do que quintuplicou o número de camas. Continua a envolver a família e tem como braço direito o filho, Francisco Cruz “júnior”, diretor do Aqua Village.

Em 2017, no primeiro ano de abertura, toda a zona envolvente do resort foi destruída pelos incêndios. O hotel escapou — algo que o administrador atribui não só à proximidade do rio mas também à tipologia das árvores e à limpeza do terreno — mas mesmo não tendo sido diretamente afetado, chegou a fechar portas. Na reabertura foi lançada uma campanha de reflorestação, ainda em funcionamento, porque continua muito por fazer nas encostas do vale. “Já reflorestámos toda a zona frontal do hotel com a colaboração dos escuteiros de Lamego”, diz Francisco. Qualquer hóspede pode fazer o mesmo, basta mostrar interesse e escolher entre sobreiros, carvalhos e medronheiros.

O quê? Aqua Village Health Resort & Spa
Onde? Caldas de S. Paulo, Oliveira do Hospital, 238 249 040, reservas@aquavillage.pt
Quanto? Estadia a partir de 120€

O Observador viajou a convite do Aqua Village.
Artigo publicado inicialmente na revista Observador Lifestyle nº 2 e atualizado para incluir referência aos prémios.

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