A obra “Portrait of an Artist (Pool with Two Figures)”, do pintor britânico David Hockney, foi vendida em leilão por 90 milhões de dólares (cerca de 80 milhões de euros) — o valor mais alto alguma vez alcançado para a venda de uma obra de um artista vivo.

O quadro foi vendido numa sessão organizada pela leiloeira Christie’s em Nova Iorque, tendo o período de licitação durado apenas 10 minutos. Segundo conta a BBC, assim que o valor de 70 milhões de dólares foi ultrapassado, a licitação terá sido dominada por duas pessoas, que disputaram uma batalha de valores por telefone.

A venda foi celebrada com fortes aplausos na sala, mas, como é hábito da Christie’s, não foi revelada a identidade do comprador. Até agora, a obra pertencia ao milionário Joe Lewis desde 1995.

O valor registado bateu o recorde de preço mais alto para uma obra de um artista vivo, tendo ficado para trás os 58 milhões de dólares (cerca de 51 milhões de euros) dados pelo “Balloon Dog (Orange)” de Jeff Koons, em 2013.

“Raramente podemos dizer ‘Esta é uma oportunidade para comprar a melhor pintura de um artista’. É o caso”, tinha declarado Ana Maria Celis, da Christie’s, antes do leilão. A obra de Hockney foi concluída em 1972 e chegou a ser descrita pelo negociador de arte Stephen Howes como “uma das pinturas mais icónicas do século XX”.

A obra retrata um ex-companheiro de Hockney, Peter Schlesinger, e um nadador numa piscina. A ideia surgiu depois de o artista ver uma sobreposição acidental de duas fotografias no chão do seu estúdio. “Uma era do Peter e a outra de um nadador. Eles estavam ali parados e eu juntei-os”, descreveu Hockney à CNN. “A ideia de pintar duas figuras em estilos diferentes interessou-me tanto que comecei a pintar de imediato.” A obra foi concluída em apenas três meses, conta o New York Times, num período de creatividade intensa para Hockney após o fim da relação de cinco anos com Schlesinger, um estudante de arte norte-americano.

Apesar do recorde estabelecido por “Portrait of an Artist (Pool with Two Figures)”, esta não é a obra mais cara de sempre. Esse título pertence à pintura “Salvator Mundi”, de Leonardo da Vinci, vendida em leilão no ano passado por cerca de 400 milhões de euros.