Benoît Quennedey, alto funcionário do Senado em França, onde desempenha funções administrativas no departamento de jardinagem e arquitetura, foi constituído arguido esta quinta-feira pelo crime de traição, suspeitando-se que tenha partilhado com a Coreia do Norte informações privilegiadas do Estado francês.

De acordo com o Le Monde, no despacho do juiz de instrução lê-se que Benoît Quennedey é suspeito de “divulgar informações a uma potência estrangeira, recolha de informações com intenção de divulgá-las a informação estrangeira, espionagem com uma potência estrangeira”.

O alto funcionário do Senado francês foi detido no passado domingo, altura em que se encontrava com a sua família na cidade francesa de Dijon. Desde então, tem estado na sede da Direção Geral de Segurança Interna (DGSI, a unidade de contra-espionagem francesa), onde foi interrogado e depôs perante um juiz de instrução.

A simpatia de Benoît Quennedey pela Coreia do Norte é um facto público e assumido pelo próprio, que chegou a escrever dois livros sobre aquele país (L’économie de la Corée du Nord e La Corée du Nord, cette inconnue) que desde 1948 vive sob uma das ditaduras mais duras e fechadas da atualidade.

De acordo com o Le Figaro, os funcionários do Senado têm direito a expressar opiniões e até a fazerem parte de um partido ou organização de cariz político, mas ainda assim estão obrigados ao dever de reserva, probidade, neutralidade e discrição. Em comunicado, o Senado reagiu à suspeita em torno do seu funcionário, referindo que pode vir a agir judicialmente contra o mesmo: “Se os factos apontados forem verificados, serão de uma gravidade extrema e serão um golpe para a reputação desta instituição”. Por essa razão, o Senado diz que “poderá” mover um processo em tribunal contra Benoît Quennedey.