O líder do Aliança já deu início ao seu périplo de apresentação aos restantes partidos. Começou pelo CDS, no início do mês, e agora foi a vez de o PS receber na sua sede uma delegação encabeçada por Pedro Santana Lopes. Foram de metro e chegaram um minuto antes da hora marcada. Depois de uma hora de reunião, o ex-PSD desceu a escadaria principal acompanhado pelo presidente dos socialistas, Carlos César, com quem debate semanalmente na SIC Notícias. No final, fez o balanço do encontro à comunicação social presente.

“Viemos aqui no âmbito da ronda de cumprimentos que estamos a fazer por todos os partidos que têm assento parlamentar. Explicámos os nossos pontos de vista e falamos sobre aqueles em que temos mais dúvidas”, começou por explicar. As diferenças ideológicas são fáceis de identificar e não permitem que haja muitos pontos em que os dois partidos estejam de acordo. “É difícil haver convergência”, reconheceu. A única vertente em que os dois partidos partilharam a mesma visão foi na identificação dos problemas. “No diagnóstico e em algumas matérias naturalmente que há convergência com o Partido Socialista”.

No entanto, à saída da reunião, o líder e fundador do Aliança deixou claro que são mais os pontos que separam os dois partidos do que aqueles que os aproximam. Deixou críticas ao estado dos serviços públicos, questionou algumas medidas orçamentais – “neste Orçamento do Estado faltam medidas de apoio às empresas” – e pediu “coragem” para mudar velhos vícios na política. Nomeadamente as polémicas que têm envolvido diretamente os deputados – desde as presenças-fantasma em plenário às viagens para as ilhas, passando pelas moradas falsas.

Sem querer “entrar na troca de galhardetes protagonizada por PS e PSD para saber quem é que é pior”, Santana Lopes expôs a posição do partido perante casos eticamente questionáveis:

Quem não honrar o mandato não se deve sentar no Parlamento”. Se a política e os políticos não souberem contornar este momento e não trabalharem para “devolver a crença às pessoas”, não será de espantar “que alguns ventos que sopram lá fora cheguem cá também”, considerou, em jeito de aviso.

Este encontro com o PS é apenas o segundo da “ronda de cumprimentos” – como o próprio definiu – que o partido está a fazer. São os primeiros passos de um partido que, garante Santana Lopes, veio para ficar. “O Bloco de Esquerda quando começou tinha cerca de 1%. Entretanto foi crescendo, crescendo… Agora tem 10%. Nós não queremos ser o Bloco de Direita mas temos o nosso caminho para fazer. Deem-nos tempo. Não nascemos para ser um epifenómeno“, afirmou.

Para o fim das declarações, reservou uma farpa para Luís Marques Mendes. “Ouvi dizer que em janeiro já haverá sondagens que incluirão a Aliança. Se assim for: ótimo. Mas é preciso ter cuidado nessa matéria, de facto. Para se falar de sondagens é necessário que estejam publicadas na ERC. Esta semana ouvi falar em sondagens que são encomendadas a grupos de amigos, que são combinadas em jantares e depois dizem na televisão que andam sondagens por aí. Isso não pode acontecer. Ouvi, por exemplo, o dr. Marques Mendes a falar disso. Sobretudo sendo conselheiro de Estado, não pode cometer essas ilegalidades. Tem de dizer quem as fez e quais são as fichas técnicas“, concluiu.

No final do encontro com Assunção Cristas – que ocorreu a 3 de dezembro -, o líder do mais recente partido português fez um balanço positivo. “Foi um boa conversa”, disse então. Desta vez, as palavras foram menos elogiosas. Mas, de todas as audiências, nenhuma destas é aquela que suscita mais curiosidade. A reunião com o PSD é de longe a mais aguardada. Por agora, ainda não tem data marcada.